18/03/2020 às 11h29min - Atualizada em 18/03/2020 às 11h29min

Carona no corona

Como proceder num momento de alerta e crise sanitária global? Afastar-se, por mais contraditório que seja é um ato de sanidade e amor, evitar visitar asilos, creches, hospitais, se bem que normalmente não visitamos mesmo. Não nos tocarmos também não deve ser difícil, quando normalmente nem nos olhamos.

A crônica é espelho da vida, resultado das vivências, experiências e quem se arrisca deve estar pronto para as surpresas, intempéries e vicissitudes. Então vamos pegar uma carona no Corona e observar algumas questões da vida que o momento nos faz refletir.

Os coronavírus (CoV) são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderada, semelhantes a um resfriado comum. A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas e os idosos mais propensos a se infectarem, devido ao sistema imunológico.

Alguns coronavírus podem causar síndromes respiratórias graves, como a síndrome respiratória aguda grave que ficou conhecida pela sigla SARS sendo os primeiros relatos na China, em 2002.

Em 2012, foi isolado outro novo coronavírus, distinto daquele que causou a SARS no começo da década passada. Esse novo coronavírus era desconhecido como agente de doença humana até sua identificação, inicialmente na Arábia Saudita e, posteriormente, em outros países do Oriente Médio, na Europa e na África

Atualmente o coronavírus que causou a pandemia global é o Covid-19, sendo que todos os coronavírus são transmitidos de pessoa a pessoa de uma forma geral, por contato próximo, sendo esse contato próximo, o contato físico ou permanência no mesmo local que o paciente doente (ex.: morando junto ou visitado).

Chamado de pandemia, devido à área de abrangência da proliferação, o Covid 19 saiu da China e espalha-se pelos vários continentes, provocando pânico, insegurança, medo e provando mais uma vez a fragilidade humana, tanto individual quanto coletivamente.

Cidades em quarentena, prisões domiciliares em prol da segurança do indivíduo e da sociedade, na qual um dos perigos é o aperto de mão, o beijo, o abraço. Insano que o homem que se afastou tanto de seu semelhante, por opção, hoje se sinta solitário ao ser obrigado a se isolar.

Como proceder num momento de alerta e crise sanitária global? Afastar-se, por mais contraditório que seja é um ato de sanidade e amor, evitar visitar asilos, creches, hospitais, se bem que normalmente não visitamos mesmo. Não nos tocarmos também não deve ser difícil, quando normalmente nem nos olhamos. Ficar isolado em casa por uma recomendação internacional vai evitar todas as outras desculpas para não termos que receber uma visita ou ter que freqüentar eventos sociais apenas para cumprir protocolos.

Fico pensando em como a exposição crua de ações dissimuladas nos assustam e causam pânico. A morte não avisa quando e nem para quem vai chegar e vivemos na prepotência da imortalidade.

O coronavirus -19 nada mais fez que nos escancarar a estupidez de uma raça que se acha supra sumo, egoísta e solitária, e ao mesmo tempo arrogante para assumir seus limites e fragilidades.

Quem sabe toda essa situação não nos faça mais humanos, empáticos, solidários. O bem de cada um somente será possível através do bem de todos. Quem sabe reaprendemos, no mínimo, a desejar saúde para aquele que espirrar do nosso lado e sempre que possível dar uma carona a um conhecido.

A carona sempre foi um gesto de solidariedade, de partilha, de ajuda ao outro, a carona é mais sadia que corona. Talvez o corona, nos escancarando dolorosamente como somos todos frágeis e mortais, apesar de vivermos, muitas vezes, como deuses imortais, nos torne mais humanos.

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