25/03/2020 às 17h44min - Atualizada em 25/03/2020 às 17h44min

O que será o amanhã?

Dizem que as crises são sempre positivas, que ao final de cada uma delas surgem oportunidades, renascimento, mas qual é o preço? Quantas vidas precisam ser ceifadas para que a evolução continue?

 

Durante muito tempo acreditamos que amanhã sempre seria um dia melhor, novos rumos, novos caminhos e de repente uma enorme placa de PARE é colocada a nossa frente e uma incógnita permanece em nossas cabeças. Nunca foi tão clara a imprevisibilidade da vida, a inconstância das coisas.

Quisera eu que uma bonita cigana fosse capaz de ver nosso destino numa bonita bola de cristal ou até mesmo através das cartas e, principalmente fosse capaz de dizer que tudo ficará bem. A dúvida e a incerteza colocaram-se, sem admitir nenhuma outra prerrogativa, e tudo o que temos são especulações.

Dizem que as crises são sempre positivas, que ao final de cada uma delas surgem oportunidades, renascimento, mas qual é o preço? Quantas vidas precisam ser ceifadas para que a evolução continue?

Por mais fortes que sejamos a iminência invisível da morte, rondando-nos, apesar de ser um fato normal, quando espalhada em postagens nos meios sociais, panfletos afixados em locais públicos nos faz temer a efemeridade. Difícil aceitar que num instante tudo acaba.

Presos em nossas casas, (felizes daqueles que possuem uma para transformá-la em prisão), teimamos em nos ocupar para fugir à reflexão. Existe um porquê e um para quê em tudo isso?

Nenhum filme de ficção científica nos preparou para isso, a peste negra ou qualquer outra pandemia não aconteceram num ambiente global no qual todos ficam sabendo de tudo instantaneamente.

Pavor, medo, pânico, desconfiança e outros sentimentos enchem nossos corações, enquanto nossa mente tenta racionalizar os acontecimentos. O que será o amanhã?

Teremos aprendido alguma lição com todos esses fatos? Seremos mais solidários, menos fofoqueiros, teremos criado um espírito de cooperação?

Isso sem falar nos termos práticos da situação. Como recuperar esse tempo que estamos sem atender as demandas da produção? Como iremos contar essa história para nossos sucessores?

Seja uma guerra biológica, econômica, política ou, num português bem popular, o escambau que for, todos fomos contaminados.

O amanhã sempre terá em seu passado milhares de mortes, medo das infomações, insegurança diante da vida, o descolorido ou se preferirem o negro como a cor. Não poderemos seguir como se nada houvesse acontecido.

Talvez acreditássemos numa terceira guerra mundial, armas, bombas, fome, mas não estávamos preparados para o que vivemos hoje. Estamos em casa, sem sentir o conforto do lar, a preguiça das férias, o descanso do serviço; apenas estamos presos, sujeitos a uma ameaça que mesmo não sendo silenciosa é invisível e poderosa. E cada dia mais pesarosos em relação ao amanhã.Quisera eu que uma cigana fosse capaz de ler nosso destino...

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