01/04/2020 às 14h13min - Atualizada em 01/04/2020 às 14h13min

Sem tempo para nada

As contradições e curvas transformam nossas vidas e, atualmente, estamos sem tempo para nada, numa outra dimensão. Aqueles que podem e estão cumprindo a quarentena imposta pela pandemia, vivem uma rotina ímpar, por não ter rotina.


Essa imagem é uma escultura feita por um artista romeno, chamado Alberto Gyorgy,  e recebeu  o nome de Melancolie, expressando o vazio da alma; o sofrimento e a solidão humana. Ela se identificou com o tema a ser apresentado hoje.
Na maioria das vezes utilizamos a expressão: “Sem tempo para nada”, para indicar um espaço totalmente cheio, todo o tempo preenchido por uma agenda de atividades que nos consomem, família, trabalho, diversão, sejam quais forem, temos todo o tempo tomado.
As contradições e curvas transformam nossas vidas e, atualmente, estamos sem tempo para nada, numa outra dimensão. Aqueles que podem e estão cumprindo a quarentena imposta pela pandemia, vivem uma rotina ímpar, por não ter rotina.
Sem tempo para acordar, comer, dormir, desenvolver algum serviço do famoso home office.Tanto faz, a hora passou a ser um detalhe e preencher o tempo tornou-se o grande desafio.
Não se come por ter fome ou se dorme por ter sono, tudo é feito para fazer o tempo correr menos lento e os dias passarem sem nos enlouquecermos. Mesmo aquela pequena lista de coisas a serem feitas, no início da quarentena, continuam lá, parece que perdemos a  força para fazer até o que se pode fazer.
Uma espécie de limbo nos faz querer saber das notícias e, ao mesmo tempo, nos isolar das notícias. Tudo que sempre foi sólido, hoje, desmancha no ar. Grande verdade de nossos dias.
Como disse o” profeta” Raul Seixas: e o aluno não saiu para estudar, pois sabia que o professor também não tava lá. E o professor não saiu pra lecionar, pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar. O sonho do profeta tornou-se nosso grande pesadelo.
A melancolia toma conta de toda a população e de cada um dos seres em sua individualidade. Sem tempo para nada. Cortar as unhas, olhar as flores, ler um livro, mesmo que digital, transformam-se em atividades gigantescas, levantar da cama um enorme desafio.
Ao mesmo tempo, a ânsia pelo dia seguinte, na esperança de acordarmos definitivamente, para soluções desse enorme problema, nos faz passar as noites acordados, na expectativa.
Quando teremos nossas vidas de volta? Queremos aquelas nossas vidas de volta, sem tempo para nada? Saudades, melancolia, tempo demais para olharmos para nosso íntimo e questionarmos tantas coisas, tantos padrões e modelos. Tempo demais ociosos, sem tempo para nada, no sentido oposto ao tradicional utilizado, não conseguimos fugir de tantas perguntas.
A falta de respostas nos faz mais prisioneiros que as paredes de nossas casas e a sensação de impotência nos paralisa perante atividades que, mesmo no isolamento poderíamos fazer.
Sigamos, mesmo sem tempo para nada e que, brevemente, estejamos novamente ocupados por atividades rotineiras que preencham nos momentos de vida, de otimismo, de energias boas. Sem tempo para reclamar, mas cheios de tempo para amar, contemplar, partilhar.
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