28/05/2020 às 08h28min - Atualizada em 28/05/2020 às 08h28min

Os tranca rua

Assim como no trânsito é na vida, não podemos viver como se o mundo girasse em torno do nosso umbigo, fazendo coisas que visem apenas ao nosso conforto, ao nosso bem, pois ninguém é feliz sozinho.

 

Dentro do aspecto religioso os tranca rua são entidades da Umbanda, ou seja, uma linhagem do Exu conhecida na cultura e manifestações religiosas brasileiras. Além de ser legitimamente brasileiro é um cara comum, que vem da rua mesmo e tem essa particularidade dentro de alguns terreiros.

Exu que veio no meio do caminho, entre o velho e o novo, é o “filho do meio” está em processo de transição. Para os umbandistas esse exu se manifesta nos desequilíbrios da criação, naquilo que se desordenou, no caos. Tranca ruas é o senhor dos caminhos.

Crenças e religiões a parte, essa introdução serve para um assunto bem mais terreno, que são os carros estacionados dos dois lados em ruas que mal cabem a passagem de um carro. Quando fui analisar esse contexto, infelizmente comum em nosso cotidiano, e pesquisar se o termo tranca rua era propício percebi ser exatamente adequado.

Ter carteira de habilitação ou não ter, não faz da pessoa, necessariamente, um motorista, o narrador é prova. Tudo bem que se não existe sinalização regulamentar proibindo, pode sim estacionar de ambos os lados da via não constituindo essa uma infração prevista no código de trânsito brasileiro, mas onde fica o bom senso?

Como um condutor imagina que pode estacionar numa rua de trânsito normal de forma a impedir a passagem de outros condutores? Só se achando o dono, o senhor do caminho, ou seja, um tranca rua. Bom senso não precisa de legislação ou regulamentação, portanto precisamos pensar no bem estar comum e não apenas no nosso. Egoísmo não faz bem nem mesmo ao egoísta.

Assim como no trânsito é na vida, não podemos viver como se o mundo girasse em torno do nosso umbigo, fazendo coisas que visem apenas ao nosso conforto, ao nosso bem, pois ninguém é feliz sozinho.

Na Umbanda os tranca rua são os que vivem a transição, o caos, Exu que veio no meio do caminho, entre o velho e o novo, é o “filho do meio”, processo de transição. Em qualquer situação tranca rua sempre desconsidera o outro, o conjunto, o outro. Seja colocando um carro em cima de uma calçada, em frente a uma garagem, estacionando dos dois lados de uma rua estreita.

Pior ainda quando pratica rasteiras no trabalho, na vida pessoal, com atitudes pérfidas para uma vantagem própria ou pelo simples prazer de fazer da vida do outro o inferno que já é a sua, porque quem é feliz e resolvido pensa no outro, pratica a empatia.

Hábitos empáticos são o que a nossa sociedade precisa, desde os pequenos até os grandes gestos. Não sejamos atrasadores da vida de ninguém , ao contrário, sejamos aqueles que abrem oportunidades, aliviam caminhadas, o bem que fazemos sempre nos retorna de forma exponencial. Empatia na caminhada faz todos os caminhos serem mais proveitosos. Saravá!

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