17/07/2020 às 09h29min - Atualizada em 17/07/2020 às 09h29min

Hidroxicloroquina contra o coronavírus

Hidroxicloroquina contra o coronavírus

Não é fake News. Acaba de ser divulgado estudo feito pelo Sistema de Saúde Henry Ford, em Michigan, nos Estados Unidos, mostrando que o tratamento com a polêmica hidroxicloroquina poderia salvar de fato, das garras da morte, muita gente afetada pelo coronavírus. Sabemos dos efeitos colaterais explosivos provocados em muitos - não pela hidroxicloroquina - mas pela simples menção a ela: raiva, rejeição e até surtos de deboche. Mas, se o que essa gente contrariada reclamava era de que a substância não apresentava resultados comprovados cientificamente, o estudo norte-americano vem para, ao menos, balançar esse conceito.

A pesquisa, feita com 2.541 pacientes que receberam a hidroxicloroquina junto com outras medicações logo no primeiro estágio do contágio, antes até de ser conhecido o resultado do exame de diagnóstico, como sempre recomendaram os defensores do tratamento, mostrou que o grupo que usou a droga, no qual havia até portadores de problemas cardíacos, teve a taxa de mortalidade reduzida pela metade. Essa sempre foi a proposta defendida pelos apoiadores do método: reduzir os casos graves da Covid-19, evitando internações em UTI, intubações e, claro, mortes.

Não há como esconder que o debate sobre o uso da hidroxicloroquina no combate ao coronavírus, no Brasil, foi contaminado pela discussão política. Afinal, a substância ganhou por aqui o “selo Bolsonaro”, pois foi o presidente um dos primeiros no país a recomendar seu uso nessa circunstância. A repulsa de certa parcela da população à figura do governante acabou sendo transferida também, automaticamente, para o remédio. Tanto que em 2016, até mesmo quem hoje a rejeita chegou a aplaudir a possibilidade de que a cloroquina pudesse vir a ser aplicada até mesmo em gestantes, no tratamento do Zika vírus, embora o medicamento não tenha sido criado para esse fim.

Antes mesmo dessa recente pesquisa norte-americana, evidências médicas já apontavam para a eficiência do tratamento precoce com a hidroxicloroquina. Quem há muito vem defendendo esse protocolo são alguns dos próprios médicos que atuam na linha de frente contra a Covid-19 em todo o mundo e que dizem ter comprovado, na prática, que a coisa realmente funciona, se feita do jeito certo.

Em 2012, em Porto Alegre, capital gaúcha, um idoso de 81 anos engasgou-se com um pedaço de carne, em uma churrascaria. Estava quase indo dessa para melhor quando um médico, que também se encontrava no local, resolveu agir: com uma faca de pão fez um pequeno corte no pescoço da vítima, onde enfiou uma caneta sem a carga. Foi o que bastou para que o homem pudesse voltar a respirar e chegasse vivo ao hospital, para passar por um procedimento mais especializado.

Se uma faca de pão e uma simples caneta, usadas sem qualquer esterilização, em condições de total improvisação, podem salvar vidas, a hidroxicloroquina é que não poderá?
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