24/07/2020 às 09h11min - Atualizada em 24/07/2020 às 09h11min

SAÍDA DA COPASA

SAÍDA DA COPASA

A coisa parece ter sido feita meio que na surdina, quer dizer, da forma mais discreta possível. Tanto que muita gente nem ficou sabendo. Mas, a verdade é que a Copasa já desmontou a sua máquina administrativa em Caratinga. E levou-a para Ipatinga. Ipatinga que, aliás, parece adorar provocar Caratinga. A Estação de Tratamento de Esgoto de que dispõe, dessa mesma Copasa, apesar de se localizar às portas da cidade, está em território de Caratinga, assim como sua maior atração turística, a Lagoa Silvana.

Mas, não vamos perder o foco. O que interessa nesta nossa análise é a saída do setor administrativo da Copasa, de Caratinga para o Vale do Aço.  Certamente haverá aqueles, avessos aos serviços da Copasa em nosso meio, por considerá-los caros e ineficientes, que poderão dizer “já vai tarde”, talvez até desejando que outra concessionária venha a assumir a vaga. Mas, não funciona bem assim. Existe um contrato, assinado entre a prefeitura e a estatal, que garante a esta o direito de explorar os serviços de água e esgoto locais até pelo menos 2028.

Além do transtorno, em vários sentidos, que representou para inúmeras famílias de trabalhadores - muitas das quais aqui sempre residiram e aqui sempre gastaram o seu dinheiro, lembrando tratar-se de gente, em geral, de bom poder aquisitivo - a transferência do setor administrativo da Copasa para Ipatinga remete a outras situações inquietantes. Uma delas é que, sem uma gerência local, a solução de problemas dos consumidores relacionados aos serviços de água e de esgoto tende a ser mais lenta e burocrática. Outras, não menos graves, são a constatação da perda de prestígio de Caratinga como referência regional e o aparente enfraquecimento de nossas forças políticas estaduais. Onde estavam os deputados que nos representam para impedir essa perda?   

Primeiro foi a Cemig, que mandou embora da cidade, há alguns anos, seu pessoal administrativo. Agora, é a Copasa que faz o mesmo. Qual será o próximo desfalque de Caratinga em termos de representações regionais? Seria o Dnit, cuja superintendência está há meses sem um supervisor, desde a transferência do engenheiro Robson Santana para Belo Horizonte? Quem mais será colocado na fila do cadafalso?
 
Caratinga tem experimentado, nos últimos anos, um expressivo crescimento, com o surgimento, por aqui, de grandes empreendimentos. Mas, notícias como a da remoção da equipe administrativa da Copasa para outras paragens nos colocam uma pulga atrás da orelha e nos fazem pensar: será que começamos novamente a andar para trás? Continuaremos perdendo status e influência?

Em momentos assim, refletir é preciso. Mas agir – ou, melhor ainda, reagir - é essencial.

 
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