31/07/2020 às 16h46min - Atualizada em 31/07/2020 às 16h46min

Desconhecidos no caminho.

Desconhecidos no caminho.

 

Sempre ouvi que era necessário ter cuidado com desconhecidos que encontrássemos pelo caminho, não necessariamente medo, mas receio, cuidados. Quando andávamos pelas estradas das roças, bastava um aceno de cabeça, um simples “dia”, “tarde” ou “noite”, como cumprimento e sem baixar a cabeça, seguir reto, adiante.

Assim nos encontramos em 2020, convivendo com um total desconhecido, tanto para leigos quanto para especialistas. Ouvi-se sobre número de notificados, descartados, confirmados, óbitos, etc, etc., informações e boatos, pois sempre que algo nos é novo surgem especulações.

“Está com coronavírus!”, “Faleceu devido a complicações causadas pelo coronavírus.”, e aos poucos as pessoas parecem ter se acostumado ao novo vírus  que mudou a rotina e a ordem mundial.

Mas de fato, o que acontece num espaço onde os presentes encontram-se todos diagnosticados com o vírus, confinados, sem poderem sair dali para não contaminarem mais pessoas  ao mesmo tempo em que a luta não é contra o vírus, mas as consequências que ele traz para o organismo, entre essas a paralisação das funções  dos pulmões?

O que acontece nessas enfermarias e quartos de hospital onde o acesso de profissionais de saúde também é restrito para preservarem suas próprias vidas?E aos profissionais que ali adentram não se preocupando em preservar suas vidas, mas aliviar o sofrimento e salvar a vida dos outros?

Obviamente não dispensam os equipamentos de segurança, todavia não abrem mão da humanidade, dispensando atenção, afeto, carinho, um afago àqueles que se encontram tristes, desamparados. Cuidados que vão além do que se aprendeu nos cursos técnicos ou de graduação, cuidados de gente com gente.

A cada dia aprendo mais sobre a vida e o ser humano e à pergunta que muitos se fazem ou me fazem se não tenho medo do coronavírus, vou dar sempre a mesma resposta: não temo nada que possa destruir a vida de pessoas que amamos. Tenho o respeito e os cuidados que sempre se deve ter com um desconhecido, mas nunca medo.

Se cada um de nós fizer o mínimo pelo bem-estar do outro, sendo altruístas uma vez no mês, se não der sempre; se pararmos de pensar no lucro e no capital como únicas formas de recompensa e acreditar que a vida vale mais que o dinheiro, pois o ser sobrepõe-se ao ter, estaremos nos tornando melhores e fazendo do mundo um lugar melhor.

Cabeça erguida e seguir sempre em frente, com o devido respeito, mas sem medo de nenhum desconhecido.

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