21/08/2020 às 09h09min - Atualizada em 21/08/2020 às 09h09min

Seja o bem pelo caminho

Seja o bem pelo caminho

Quando um semeador sai para semear ele acredita na germinação das sementes, no crescimento das plantas, se for o caso, na possível colheita dos frutos, ou seja, a motivação para a semeadura está na crença de um futuro.
Nem sempre a  colheita é farta, contudo no período correto o semeador volta a semear, mesmo sabendo que os intempéries da natureza são imprevisíveis e secas ou inundações  podem destruir todo esse trabalho.
Acredito que o processo de semeadura da natureza vegetal é uma grande metáfora da vida humana .Estamos nesse plano como semeadores, tendo o compromisso de sempre semear o bem; apesar de nem sempre conseguirmos ser bons semeadores, ou melhor, sermos bons semeadores sempre.
Ouvimos muito sobre a falta do bem, de atitudes verdadeiramente humanas, de valores éticos e morais, porém precisamos refletir e começar a semear essas coisas que têm nos feito tanta falta. Falta a cada um de nós semearmos o bem com mais freqüência pelos caminhos nos quais passamos.
Não basta ser do Bem, é preciso semear e espalhar o bem por onde passamos, e ainda mais, irmos a caminhos onde o bem está em falta e revolver a terra, preparar o terreno, jogar as sementes.
Num período de tantas instabilidades, o solo parece pouco propício à produtividade, mas ainda assim, devemos na crença de todo semeador não desistir da semeadura e insistir em semear.
Quando o caminho parecer infértil, pedregoso, árido,  é ali que teremos que trabalhar  auxiliando o outro a ser mais maleável, menos crítico e amargo com a vida e, com o outro, ensinar a cultivar o espaço no qual nos encontramos com relações mais humanas e saudáveis sendo amigos ou   solidários.
É preciso aprender a estender a mão para ajudar dando exemplos de que o mundo e a vida foram feitos para serem compartilhados. Compreender as atitudes do outro e, gentilmente, através de nossos exemplos, ir ajudando a outros a também semearem o bem.
Para quem conhece a história de Francisco de Assis não é difícil entender que a nossa principal função é sermos instrumentos da paz: mais amar que ser amado, procurar compreender, ao invés de ser compreendido, saber perdoar antes de querer ser perdoado, afinal, é dando que se recebe.
Urge que façamos e semeemos o bem  desde as pequenas  até as grandes atitudes que tomamos em nosso cotidiano. Nas pequenas gentilezas e nos grandes gestos. O amor é o bem, não individual, mas o bem comum.
Semear é mais nobre que colher, ser o bem é um tesouro grandioso, semear o bem é inestimável; nenhum tesouro se compara àqueles que por onde passam deixam a bondade.
A vida é uma grande interrogação se não entendermos que no final só sobra o bem que tivermos semeado por todos os caminhos que trilhamos. O ser humano é passageiro, perene, mas o bem semeado é eterno.
Sejamos e semeemos o bem  na crença de que a colheita poderá vir, mesmo que não a usufrua o semeador.
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