28/08/2020 às 09h48min - Atualizada em 28/08/2020 às 09h48min

DIRETO DA REDAÇÃO PADRE ROBSON DE OLIVEIRA

DIRETO DA REDAÇÃO PADRE ROBSON DE OLIVEIRA

Católicos de todo o Brasil foram sacudidos, esta semana, por uma notícia bomba: um de seus mais queridos representantes estaria envolvido em um golpe milionário. O padre Robson de Oliveira Pereira, pároco da Basílica do Divino Pai Eterno, em Goiás, é quem está sendo acusado pelo Ministério Público daquele estado de ter desviado para o seu bolso pelo menos 60 milhões de reais doados por devotos e que deveriam ser destinados à manutenção de sua obra religiosa.

Padre Robson, de 46 anos, tem fãs por toda parte. Em Caratinga, mesmo, e também em toda a região, contam-se às centenas, talvez, aos milhares os seus admiradores. Daqui e de cidades próximas já saíram, para rezas e passeios, incontáveis caravanas com destino a Trindade, município no qual o sacerdote implantou e desenvolveu o seu trabalho. Agora estão todos de cabelo em pé por causa das denúncias contra o clérigo.

A verdade é que as investigações até agora feitas deixam o pároco do Santuário do Divino Pai Eterno em maus lençóis. Segundo os promotores, a Associação Filhos do Pai Eterno, fundada e dirigida por padre Robson, teria se transformado em uma verdadeira organização criminosa, ao captar recursos dos fiéis para beneficiá-lo pessoalmente. Casa na praia na Bahia, apartamentos em São Paulo e Goiânia, fazendas em todo o Brasil, empresas de mineração: a entidade criada por padre Robson estaria se revelando uma eficiente máquina de fazer dinheiro e produzir lucros. Para deleite maior dele próprio.

Um detalhe constrangedor nessa história toda é que a investigação em cima de padre Robson começou, há cerca de dois anos, com a denúncia de um desvio, feito por ele, de dois milhões de reais da Associação Filhos do Pai Eterno, para pagamento a um chantageador, suposto amante do religioso, para que a relação entre os dois não fosse denunciada. 

Embora o que exista contra o padre Robson sejam ainda denúncias, não tendo o investigado sequer sido preso, muitos, especialmente através da internet, já se apressam a condená-lo, levando de roldão, nesse frenesi, a própria igreja católica, e mesmo as religiões como um todo. A meu ver, um exagero total. Em todos os segmentos há quem cometa deslizes e mesmo, crimes. Isso não quer dizer que as instituições estejam de todo contaminadas. As igrejas, as religiões, sejam de que modalidade forem, existem também para ajudar, cooperar, construir. Obras de caridade, conforto emocional, superação de doenças através da fé e até a recuperação de dependentes químicos e de condenados da Justiça são apenas alguns dos benefícios que essas organizações e as práticas religiosas têm trazido à sociedade.    

Por isso, na hora de julgar, calma, devagar com o andor, porque o santo é de barro. 
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