02/09/2020 às 18h20min - Atualizada em 02/09/2020 às 18h20min

Fé no caminho

Fé no caminho

Se formos procurar o significado da palavra fé encontraremos, entre vários, o conceito de fé como convicção intensa e persistente em algo abstrato, que para quem acredita se torna verdade, realidade.

Muitas crianças, quando pequenas, gostam de brincar de serem  jogadas para o ar e ,quando soltas, aproveitam a sensação de liberdade, acreditam voar, estarem sem efeitos da lei da gravidade.

Apesar do perigo, a criança tem fé em quem as jogou, certeza de que não cairão no chão. Essa pandemia jogou a todos nós para o ar, virou nossas vidas ao avesso, não sendo crianças, muitas vezes vemos nossa fé ratear.

E não coloco aqui o termo fé apenas na perspectiva religiosa, mas na perspectiva de crença e estilo de vida. Por mais que nos sintamos soltos na fluidez do ar, precisamos acreditar, ter a certeza de uma criança que se deixa jogar no ar, aproveitando o momento, na crença  de que não será desamparada.

Nesse momento tão ímpar e singular na existência humana, precisamos continuar a viver com a esperança de que tudo isso vai passar e a humanidade poderá se modificar e se tornar melhor.

Ainda não consigo crer que a pandemia vai transformar as pessoas em seres melhores, mas acredito que evidenciará quem é cada um, e não podendo mais o mal mascarar-se de bem, poderá ser combatido mais firmemente.

Interessante que no momento em que tivemos que usar máscaras para não nos contaminarmos e mantermos um distanciamento social, pelo mesmo motivo, as máscaras que encobriam o caráter tiveram que cair.

Pessoas que se mostravam do bem, solidárias e humanas, demonstraram egoísmo, falta de sensibilidade e comprometimento com o bem comum. Tiveram que apresentarem-se como verdadeiramente são. Preocupadas apenas com elas mesmas, suas vidas, seus bens, sem nenhum senso de pertencimento com o próximo e a humanidade.

Fechadas em seus universos individuais, não se sensibilizam com a dor e a necessidade do próximo ,preocupam-se apenas em não serem atingidas pelas mortes, com a fome, pelo vírus.

O que elas não percebem é que já foram expostas pelo vírus sendo vistas como são sem poderem esconder-se na hipocrisia. Esse escancaramento e nudez devem ser um dos principais fatores que nos fazem ter fé no caminho.

Quando as máscaras de caráter são retiradas, reconhecemos quem são as pessoas, de quem devemos nos aproximar e quem não faz parte das ideias e crenças que temos. Ser bom implica, obrigatoriamente, em fazer o bem e ninguém é bom sozinho.

Precisamos nos unir e fazer com que mais pessoas tenham fé no caminho ao observarem nossos exemplos.

Para os que pensam apenas em si, uma dica: os egoístas não herdarão a Terra, nem entrarão no Reino dos Céus. Sigamos com fé em dias melhores.


 
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