10/09/2020 às 17h44min - Atualizada em 10/09/2020 às 17h44min

Reconhecer-se no caminho

Simone Sousa
Atualmente está difícil viver na integridade do conceito da palavra, estamos todos limitados por regras de convivência e distanciamento social, com parâmetros, até então considerados pilares, sendo questionados e em meio a tentativas de sobrevivência, muitas vezes, fica difícil responder quem somos em nossa essência.
               A pergunta pode parecer fácil, se entendida de uma forma simplista, mas, incrivelmente complexa se nos desvestirmos da roupagem com a qual nos encobrimos para atender aos anseios de convivência numa sociedade que nos cobra  comportamentos, ações e procedimentos  que se enquadrem dentro do que foi determinado como regra social.
               Nem sempre vestimos, compramos ou comemos o que é de nosso desejo, pois tudo já está pré-determinado, definido. Ditam o que precisamos fazer e nessa ditadura, muitas vezes,  vamos constituindo nosso ser sem avaliarmos quem verdadeiramente somos, por isso, o desafio de nos reconhecermos durante a trajetória que constitui nossas vidas.Olhar-se no espelho, não com a postura narcisista da pura reflexão da imagem, mas no reconhecimento de quem somos em nosso interior, nossas crenças, vontades, valores. Essa busca pode ser torturante e difícil e nos levar a perceber que precisamos nos encontrar para  de fato, sermos.
               Em meio a tanta diversidade podemos estar simplesmente reproduzindo padrões que nos transformaram em máquinas, às vezes proferimos discursos, comportamentos de outros que em muito se diferem de nós.
               Nessa busca interior, por nós mesmos, corremos o risco de encontrar seres vazios, covardes, egoístas, mascarados em pessoas boas, amáveis, solidárias; podemos descobrir que não somos quem somos; daí a necessidade de fugir da pergunta, da busca, do espelho.
               Somos ou estamos satisfeitos com a vida que construímos, com a trajetória que fazemos, com o legado de nossa existência para a humanidade? Transformei-me no adulto que a criança que outrora eu  fora  sentiria orgulho?
               A resposta não deve estar alicerçada nas conquistas materiais que obtivemos, pois essas também são parte de nossa roupagem, não de nossa essência, mas precisamos responder embasados em nossos valores, nossos comportamentos e ações perante a sociedade, o mundo, pois é isso que constitui quem, de fato, somos.
               O espelho pode ser doloroso, no início pela dificuldade em nos reconhecermos e, após, pelo que podemos descobrir ser. Entretanto, só essa reflexão será capaz de nos auxiliar a fazer as mudanças necessárias para nos reconstruirmos melhores, completos, inteiros.
               Em tempos de tantas mudanças, precisamos fazer a mais difícil:  encontrar em quem a sociedade nos transformou e nos modificar a ponto de nos tornarmos quem queremos ser.
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