25/09/2020 às 10h08min - Atualizada em 25/09/2020 às 10h08min

Estiagem, no Brasil, é sinônimo de queimadas

Estiagem, no Brasil, é sinônimo de queimadas

Agora, ele deverá dar um tempo, se recolher um pouco, esconder sua fúria. É que as chuvas já estão batendo à nossa porta. Mas é só uma questão de tempo; o fogo que destrói nossas matas e tudo o que nela existe, especialmente no período de estiagem, já está com passagem de volta marcada para o ano que vem. É triste constatar: os incêndios em áreas de vegetação, em tempos mais secos, se tornaram tão certeiros no Brasil quanto o fato de que o sol irá nascer de novo amanhã. Ao menos para quem permanecer nesta terra, abrasada, esturricada, enfumaçada.

E não é por falta de conversa que esses incêndios, provocados por descuido, negligência ou mesmo pura maldade, continuam acontecendo. Todos os anos campanhas de conscientização para a sua prevenção acontecem. Conselhos, esclarecimentos, alertas são despejados em nossos ouvidos pela turma ligada à proteção do meio ambiente. Muito pouco tem adiantado.  

Em Caratinga, de novo, hectares e mais hectares de matas sumiram consumidos pelo fogo. E assistimos muito desse triste espetáculo de camarote, pois algumas de nossas áreas de proteção ambiental, palcos frequentes dessas ocorrências, se localizam no entorno da cidade. Fumaça, o clarão das chamas e cinzas ao vento: este foi o cenário da destruição que podia ser visto de longe. Mais de perto, o panorama piorava:  animais queimados, feridos ou mortos, nascentes prejudicadas, espécies vegetais nativas aniquiladas.

Falar da importância de um meio ambiente equilibrado é “chover no molhado”. Temperatura mais amena, chuvas mais regulares, oferta de água pura, manutenção da umidade do ar, animais interagindo com a flora, e esta, com estes são algumas das consequências benéficas.  Em entrevista levada ao ar ontem, aqui no TJS, numa fala lúcida e bem fundamentada, o biólogo caratinguense Gleidson Freitas levantou uma questão curiosa: se o ser humano mostrasse mais respeito à natureza, talvez não tivéssemos sido apresentados ao novo coronavírus, como se sabe, surgido na China, graças ao hábito de parte da população local de saborear aquelas “deliciosas” sopas de morcego. Com esse tipo de comportamento, quantos vírus nocivos mais ainda iremos trazer para ficarem juntinhos de nós? Sabem daquela história de mexer com quem está quieto? Pois é.

Quanto a Caratinga, está difícil assistir, todos os anos, às mesmas cenas de destruição. Fiscalizar ainda mais, denunciar ainda mais, punir ainda mais, conscientizar ainda mais talvez seja o caminho para mudar as coisas na próxima temporada de águas escassas. Não é possível que tão poucos continuem, impunimente, a tratar nosso meio ambiente como lixo. O desafio está lançado.  
 
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