02/10/2020 às 10h53min - Atualizada em 02/10/2020 às 10h53min

Amor, puro amor no caminho.

Amor, puro amor no caminho.

Outubro foi dedicado à discussão do câncer de mama:” Outubro Rosa”. A escolha da cor deve-se ao fato de que, apesar do câncer de mama atingir também os homens, a prevalência é sobre as mulheres. Uma doença grave, invasiva, que altera não apenas a estrutura física do corpo, mas, sobretudo, a alma e o espírito, uma vez que, mesmo com grandes avanços da ciência que oportunizam a cura, a iminência de uma mudança paira perante esse diagnóstico.

Após o choque, muitas perguntas passam pela cabeça e, no caso do câncer de mama, nas mulheres a auto-estima é abalada não apenas pela vaidade, mas por símbolos tão significantes no universo feminino como a queda dos cabelos, a possibilidade de deformação ou perda de uma mama. E não pense ninguém que esse medo seja insignificante, pois a mutilação é chocante para todos nós. As mamas e os cabelos são marcas fortes do gênero feminino.

Perante a doença, o paciente precisa se preparar para um tratamento doloroso, situações difíceis, possibilidades de metástases, quimioterapia, rádio, cirurgias e o olhar, às vezes de piedade, outras de julgamento, de uma sociedade que tem dificuldades em lidar com o desconhecido, o inexorável.

Será o câncer resultado de sentimentos psicossomáticos, falta de prevenção, diagnósticos equivocados?  Como uma doença, que durante até pouco tempo era tão temida que nem o nome podia ser pronunciado, ainda hoje é percebida por cada um de nós?

Já sabem que escrevo sobre situações que me tocam e tendo retirado um nódulo, no caso benigno, convivo com outras mulheres que diante um diagnóstico de nódulo maligno se agigantaram. Descobriram uma força, um amor que nem imaginavam possuir. E esse amor que passa a emanar de cada uma delas atrai outros amores e o caminho para o tratamento dessa doença se enche de amor.

Sem vitimismo, refletem sobre suas vidas, seus valores; e essa força e coragem sustentam uma mudança na rotina de suas vidas, de suas famílias, fazendo com que a vida seja mais tranqüila, apesar da truculência da situação. Descobri que essa força tem nome: “mulheres de peito”.  A força de cada uma, contrário a Sansão, não se encontra nos cabelos, nem no feminismo das mamas.

É preciso que cuidemos da prevenção, através de autoexames, exames como mamografias e tomografias em diferentes faixas etárias. É preciso não julgar com afirmações, se não distorcidas, pouco sensíveis a quem está diagnosticada com a doença.

É necessário que as famílias deem suporte emocional e permitam que a paciente tenha dias de otimismo, ante os momentos de angústias e tristezas; que as mesmas mãos que acariciam os cabelos, usem a navalha para minimizar a dor e o sofrimento da perda dos cabelos. Que os amigos estendam a mão em solidariedade, sem pieguices, nem pena, mas com carinho e amizades sinceras.

Parabéns a todos que enfrentam o câncer com altivez, pois as maiores batalhas são dadas aos guerreiros mais fortes e é preciso ter peito para fazer de um momento tão delicado momentos de amor, como vocês conseguem fazer.

Essa semana eu só transcrevi um texto que recebi por telefone de uma mulher de peito, que se agigantou e se torna um ser humano cada dia melhor, enfrentando com dignidade e sabedoria a doença. Você me disse que queria ser sábia, sem imaginar a tamanha sabedoria expressa na afirmação. Eucione Soares representa as mulheres de peito. Aos núcleos do câncer, minha admiração.
 
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