09/10/2020 às 14h04min - Atualizada em 09/10/2020 às 14h04min

Ninhos pelo caminho

Ninhos pelo caminho

Um dos princípios dos seres vivos é a reprodução para preservação da espécie, um instinto que permite a idéia da perpetuação e imortalidade. Mantemo-nos vivos enquanto outros vivem com partes de nós, nos genes, na memória, no coração. Deveria ser assim, apenas biológico  e antropológico, mas o processo acabou se envolvendo em muita emoção.

No inconsciente, quase coletivo, vive o princípio, também bíblico do “crescei e multiplicai” e construir uma família, ter filhos, permeia o imaginário de muito de nós. Se se opta por não ter filhos, temos os sobrinhos, primos, filhos de amigos. As crianças enchem nossas casas de confusões, mudança de rotinas mas, sobretudo, de muita alegria e vivacidade.

Quanta alegria nos nascimentos! Como é bom vê-los crescer, dar os primeiros passos, balbuciar as primeiras palavras; irem para a escola, são tantas primeiras experiências e cada uma delas nos enchem de alegria, de amor. Em muitas circunstâncias as vemos reproduzindo o que fomos, nos gestos, nas pirraças. A singularidade não é pertencente à raça humana, pois cada um que nasce traz em si um pouco de outros.

Aos poucos, as crianças vão crescendo, tornando-se independentes, com vida própria e a simbiose vai se desfazendo. Amigos próprios, pensamentos independentes e, dia após dia, mesmo sem percebermos, inconscientemente, vão se afastando de nós. Deixando o ninho para lançarem-se a vôos, às vezes rasos, outros profundos.

Quando o ninho fica vazio, fica a dor da saudade, o aperto no coração na expectativa de cada mensagem, cada telefonema, cada notícia e quando essa chega, a única lembrança que fica é o alívio e a alegria de sabermos que estão bem.

Como desejamos protegê-los de cada queda, cada decepção, de todo sofrimento! Como seria bom poder protegê-los de todo mal, livrá-los de toda dor, conservá-los sempre sob nossas asas! Mas isso os impediria de crescer, tornarem-se adultos. É para isso que nossas crianças nascem para tornarem-se adultos. Deixar o ninho, criar suas histórias.

Como é solitário um ninho vazio! Como é triste e silenciosa uma casa sem filhos!Mas como é bom recordar os momentos, reviver as histórias. Como é gratificante ver um filho crescer, amadurecer, voar!

O ninho vazio continua  no mesmo lugar, como um porto seguro que se mantém sempre lá, com o único objetivo de garantir ao viajante que, quando quiser e precisar, ele estará lá.

À todas as famílias que vivem a separação, na certeza e alegria do reencontro.    
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