11/04/2019 às 11h39min - Atualizada em 11/04/2019 às 11h39min

Caratinga: Terra de Mendigos

Há cerca de dois meses destaquei nesta coluna que a cidade parecia estar se transformando em uma espécie de capital regional da mendicância. Acontece que, de lá para cá, a impressão passou a ser quase certeza: o exército de indigentes avançou fileiras e só tem aumentado por aqui.

Foto: Internet
Existe a Dineylandia, terra de Disney; existe Uberlândia, terra da abundância, do latim Ubere; temos também a Cracolândia, terra do crack. E agora parece estar surgindo diante de nossos olhos uma nova configuração geográfica: a Mendigolândia, terra de mendigos. Alguém tem ideia de onde seria isso? Talvez, Caratinga?

Há cerca de dois meses destaquei nesta coluna que a cidade parecia estar se transformando em uma espécie de capital regional da mendicância. Acontece que, de lá para cá, a impressão passou a ser quase certeza: o exército de indigentes avançou fileiras e só tem aumentado por aqui.

Pedintes existem em qualquer parte do mundo. Até mesmo nos países ricos e desenvolvidos. Mas, em alguns locais, como Caratinga, a proporção deles chega a assustar: nos semáforos, nas esquinas e até dentro de supermercados e igrejas lá estão eles sempre de mãos estendidas: haja esmola para tanta gente!
Em Caratinga, os desvalidos – embora nem todos o sejam de fato – podem ser vistos por toda a parte. Vistos e sentidos, pois nos chamam, nos tocam e nos suplicam: dinheiro, quase sempre. Alguns, poucos, pedem comida. Mas o grosso dos pedintes quer, mesmo, é grana viva, para que possa comprar crack ou cachaça, essa é a triste verdade.
Além do desconforto que suas abordagens tão frequentes nos causam, o número exagerado de pedintes e de sem casa nas ruas também provoca situações de constrangimento: namoros ultra animados a céu aberto, para quem quiser ver; xingamentos uns aos outros; e brigas, muitas brigas, sobrando sopapos para todo lado, isso quando a coisa não fica ainda pior.   

Teríamos que ser frios como gelo para não nos sensibilizarmos com a situação de pobreza extrema de grande parte de nossa população. Nem sempre podemos resistir a um pedido de esmola, feito na rua, vindo de alguém que se nos mostra frágil e carente. Mas, gestos de caridade podem estar servindo a quem não precisa deles tanto assim: sujeitos fortões, muitos jovens, até mesmo alguns aposentados, pelo que sabemos, também estão alistados nessa frente ampla de mendicância em Caratinga. Assim, não dá.

O caratinguense espera que algo seja feito para que a situação não destrambelhe ainda mais. Os nossos serviços sociais estão sendo desafiados. Vamos nos conformar, então, em sermos mesmo uma Mendigolândia?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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