22/10/2020 às 18h11min - Atualizada em 22/10/2020 às 18h11min

DIRETO DA REDAÇÃO

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A pressão já começou: vozes se levantam defendendo a obrigatoriedade da vacinação contra o coronavírus ainda no primeiro semestre do ano que vem. O medo daqueles mais desconfiados com tal postura é de que o remédio possa ser pior do que a doença.

Devo esclarecer que não faço parte, de forma alguma, do movimento antivacina, dos mais atuantes hoje no mundo, para o qual essas substâncias só fazem mal. O fato é que os inimigos de primeira hora das vacinas talvez sejam os mesmos que defendem que a terra é plana, e não redonda, dentre outras esquisitices, para dizer o mínimo. Afinal, não fossem elas - as vacinas - muitas doenças como o sarampo, a tuberculose e até a gripe, dentre outras, com toda a certeza fariam muito mais vítimas do que já fazem.  Dito isso, vamos ao outro lado: penso que não podemos tirar das pessoas o direito de duvidarem de um antídoto que viaje à velocidade da luz para fazer pouso em um terreno tão delicado e difícil quanto o da saúde humana.

A vacina mais rapidamente produzida até hoje, com a garantia de que não faria nenhum mal às pessoas que a tomassem, foi a da caxumba: demorou quatro anos para que ficasse pronta. O vírus HIV, da Aids, foi descoberto em 1983. Até hoje, passados 37 anos, apesar de muitos esforços, não encontraram a vacina que o combata. O novo coronavírus foi descoberto no final do ano passado. E a vacina contra ele já está batendo à porta?

Obter o quanto antes uma vacina que possa controlar o coronavírus é o sonho de todos. Mas apressar o processo por conta do pânico que a pandemia provoca em grande parte da população pode ser perigoso, como já começam a alertar muitos especialistas mundo afora.  Talvez devêssemos nos conformar em aturarmos, durante mais algum tempo, o tal do novo normal, defendendo nossa saúde do jeito que der.

Venha da China, do Brasil mesmo ou até de Marte, caso isso fosse possível, a vacina que aguardamos contra o novo coronavírus deve se mostrar, antes de tudo, perfeitamente segura. Disso não devemos abrir mão.
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