30/10/2020 às 15h07min - Atualizada em 30/10/2020 às 15h07min

Pós-verdade

Pós-verdade

A percepção de que aprendemos a cada dia é muito importante para que nos renovemos sempre. E nessa caminhada do conhecimento vamos constituindo nosso potencial e nos tornando, quem sabe, melhores. Aprender é uma jornada que  não cessa e nesse contexto estamos convivendo com a pós-verdade.

A busca pela verdade sempre permeou o universo da filosofia, ou seja, foi uma procura do ser humano. Afinal, seria algo verificável, mensurado, comprovado ou apenas sentido?

Fake news  e montagens tornaram-se parte do cotidiano das notícias e nem tudo o que vemos é real. Não basta ver para crer quando nossos olhos podem ser enganados e a verdade superficialmente construída. Então, em que deveremos nos apoiar para  distinguir o real do imaginário, a verdade da mentira?

Esse é o momento  que foi denominado pelos filósofos da contemporaneidade de pós-verdade. Nada é o que parece ser e somos confrontados a estimular nosso pensamento a altos padrões de análise e confrontação.  A verdade pode ser uma mentira, propositalmente construía para atender a determinados objetivos e grupos.

Essa formulação   tão bem construída baseia-se em alicerces verdadeiros para criar proposições falsas induzindo a contextos irreais como os melhores. Assim se constroem sistemas totalitários que atraem uma variedade de seguidores.

Nunca foi tão importante a capacidade de análise e desmembramento de situações e proposições para chegar a conclusões que estejam de acordo com nossos princípios e ética. Afinal, a ética ainda resiste?

Perante tamanha subjetividade, qual será o caminho da verdade? Ela resistirá em meio a tamanhas individualidades e subterfúgios em prol de interesses próprios?

Bons tempos aqueles nos quais o certo e o errado estavam definidos, cabendo-nos apenas escolher o caminho a seguir. Atualmente, está sendo necessário construir o caminho e a verdade.

Difícil aceitar que a verdade tornou-se tão relativa que cada um pode ter a sua, que os valores universais foram evaporados. Como diz Edgar Morin: Tudo o que é sólido, desmancha no ar. Como sobreviver a toda essa fluidez líquida?

Amizades por interesse, usurpação sem remorsos, vitimização como forma de esconder as verdadeiras responsabilidades. Dinheiro e poder como parâmetros de sucesso e felicidade, que quando atingidos geram frustração e angústia, além de atraírem para seu círculo aproveitadores que vivem como abutres aproximando-se apenas para obterem vantagens.Hipocrisias, idiossincrasias, falácias e tantos outros elementos se tornam constantes em nossas vidas. Um viva para  pós-verdade.
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