30/10/2020 às 15h08min - Atualizada em 30/10/2020 às 15h08min

DIRETO DA REDAÇÃO

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Lavar as mãos está na ordem do dia. Como se sabe, este é um imperativo em tempos de coronavírus. Por motivos higiênicos tudo bem, mas “lavar as mãos” quando o que está em jogo é a política, isso, sinceramente, é um tiro no pé, em minha opinião.

Livrar-se da responsabilidade, ficar em cima do muro, deixar pra lá; assim agem muitos quando chega a hora da eleição. Essa turma descompromissada costuma, até, estimular campanhas pelo voto nulo ou em branco. Xinga, berra, esperneia contra os políticos em geral e até contra os candidatos de primeira viagem, taxando-os todos de corruptos e oportunistas. Para que tanto gasto de energia, pergunto.

Por mais que os inimigos do voto válido xinguem, gritem e berrem, ao final do processo não haverá escapatória: alguém, fatalmente, será eleito, pois, como se sabe, votos nulos ou brancos não têm força para cancelar nenhum pleito: sempre existirão aqueles que, diante da urna eletrônica, não abrirão mão de apertar a opção “confirma” e ajudar a colocar no poder seus candidatos preferidos. Não é crime. Não é maldade. É até um direito do eleitor. Mas não há como negar: votar nulo ou em branco é se omitir.

Louco seria quem dissesse que a classe política brasileira tem a admiração e o respeito da maior parte da população. Em meio a tantos escândalos de corrupção nos quais muitos desses representantes têm se envolvido desde sempre, a verdade é bem outra. Porém, nos parece bastante exagerado afirmar que cem por cento daqueles que se propõem a fazer um trabalho político sejam do mal. E que garantia temos de que os desonestos que alcançaram o poder não foram ali colocados por gente que trocou seu voto por favores, vantagens pessoais ou até dinheiro, enquanto os que preferiram se acomodar olhavam indiferentes?    
     
Saber votar e votar de fato. Não vender o voto. Estes são os únicos caminhos que temos para melhorar as coisas por aí. Até votar naqueles que considerarmos “os menos ruins” está valendo, por mais que essa alternativa escandalize alguns. Um critério, no entanto, jamais deve ser desprezado: que o candidato de nossa escolha não tenha a mania feia de colocar a mão em dinheiro que não lhe pertença.

Queiramos ou não, são os políticos que fazem e aprovam as leis, que liberam, que proíbem, que sugerem, que adotam medidas que vão refletir em nossa saúde, em nossa educação, em nossa segurança, em nossa economia, em nossas vidas. Vamos escolher por conta própria ou deixar que outros decidam por nós? 
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