04/12/2020 às 12h33min - Atualizada em 04/12/2020 às 12h33min

DIRETO DA REDAÇÃO

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Enquanto inúmeras famílias choram seus mortos por causa do coronavírus e muitos vivem apavorados com a possibilidade de serem as próximas vítimas, a bandidagem faz a festa no Brasil. Os fora da lei parecem não se importar com nada. Só querem uma coisa: atingir seus objetivos criminosos custe o que custar.

Foi o que vimos esta semana no estado de Santa Catarina, onde, na cidade de Criciúma, pelo menos trinta assaltantes, em dez carros e portando armas capazes de derrubar até avião, tocaram o terror na população, fazendo reféns entre os moradores, atacando e ferindo a polícia e fugindo com milhões de reais alheios, após explodirem caixas eletrônicos.

A ação chamou a atenção porque foi espetaculosa ao extremo, mas muitos outros crimes, de todos os tipos, menos cinematográficos, são praticados a baciadas no Brasil, todos os dias. Assassinato de mulheres, estupro, tráfico de drogas, estelionato: escolha a modalidade.

O reinado do banditismo, se assim podemos dizer, no Brasil, rende debates e polêmicas sem fim. Seria resultado da pobreza da população? Da cara de pau, mesmo, de quem faz o que quer sem pensar nas consequências? Do sistema prisional, para muitos desumano e uma verdadeira universidade do crime? Ou da brandura de nossas leis penais? Essa sempre foi uma discussão na qual nem os juristas se entendem!

Nada tira-me da cabeça, no entanto, de que o domínio do mal, em nossa sociedade, em boa parte é proporcionado, de fato, pela mania que temos de reduzirmos ao grau mínimo a responsabilidade de quem comete um delito, mesmo que grave. Progressão de regime, liberdade condicional e prisão domiciliar são alguns dos benefícios concedidos aos condenados, mesmo àqueles que praticaram crimes hediondos. Assim, são raros os casos de sentenciados, no Brasil, que permanecem na cadeia cumprindo a totalidade de suas penas.

Quando ficamos sabendo de casos como o de Suzane Von Richtofen, beneficiada por saída temporária da cadeia por conta do dia dos pais, ela, que ajudou a matar os dela; quando nos informam que um ministro do Supremo Tribunal Federal mandou soltar um dos chefes do PCC, condenado por tráfico internacional de drogas e que cumpria prisão preventiva, provocando a sua fuga para o exterior; quando esse mesmo tribunal acaba com a prisão em segunda instância apenas para beneficiar um ex-presidente condenado por corrupção, acabamos chegando a uma triste conclusão: a luta contra o coronavírus acabará sendo vencida, a partir da chegada de uma vacina, cada vez mais perto; mas, a escalada do crime e da impunidade, esta, em nosso país, parece não ter cura.
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