04/12/2020 às 16h46min - Atualizada em 04/12/2020 às 16h46min

O que você quer do caminho?

O que você quer do caminho?

Muitas vezes vamos passando nossos dias sem percebermos quão preciosos são, o quanto são preciosos os momentos vividos, sentimentos compartilhados; a felicidade parece ser muito natural àqueles que são felizes.

Quando passamos por momentos de dores e perdas é que percebemos que a felicidade é uma dádiva, um presente e  devemos cultivá – la com cuidado, com carinho, humildade e gratidão; ter a presença das pessoas que amamos, reconhecer esse sentimento de amor que recebemos das pessoas, semear o amor .

A intensidade da vida muitas vezes nos faz esquecer sua brevidade e, insanamente, ou talvez, sabiamente, vivemos como se fôssemos eternos até que, em determinados momentos, a morte se apresenta declarando que somos finitos e   qualquer instante pode ser o fim do caminho.

A convivência ou vivência da morte é uma reflexão sobre o que cada um deseja plantar e colher da vida, pois o valor de cada coisa reside na importância que damos a elas, portanto o que é inestimável para alguns pode ser insignificante para outros, sem necessariamente que um esteja certo e o outro errado, mas sim daquilo que toca o coração de cada um.

Como disse a sábia raposa ao petit prince: Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que a fez tão importante. Tempo e importância, palavras que devem primar pela proporcionalidade, usar o tempo com aquilo que para nós é, verdadeiramente, importante.

Se soubéssemos que aquela seria a última conversa, o último encontro, o último beijo; que aquela seria a nossa despedida da própria vida, da vida dos familiares e amigos, teríamos o mesmo comportamento, as mesmas atitudes?

O que cada um de nós deseja experienciar, viver, ofertar, receber, dessa oportunidade dada nesse  espaço-tempo não pode ser algo guardado e esquecido no fundo de nossas lembranças, mas sim, o mantra, a bênção e a oração do amanhecer de todos nós.

A nossa essência não se encontra no que temos, mas em quem somos,  no que construímos não no sentido material, mas no coletivo, na integridade do reconhecimento de que estamos todos de passagem e por isso precisamos  deixar nos outros lembranças boas, saudáveis, amistosas e amáveis. Tirando a essência, tudo mais é mesquinharia, bobagem.

Já quis muitas coisas do caminho, até que, através da perda de pessoas muito valiosas eu entendi que eu, assim como a maioria de nós, quer mesmo é ser amado, reconhecido, valorizado, sejam em quais forem as coisas que nos tocam, tendo isso, tudo mais é acréscimo.

Hoje quero a paz e a serenidade, junto à sabedoria para não me contaminar por coisas que me afastem daquilo que, verdadeiramente, quero. E quando a morte colocar um fim no caminho, quero  ter a certeza de que a conta está certa, não saí devendo para a vida.

Um brinde a todos nós que pelo amor, respeito e admiração pela vida aprendemos com a morte.
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