10/12/2020 às 17h32min - Atualizada em 10/12/2020 às 17h32min

DIRETO DA REDAÇÃO

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Não foi apenas uma sensação. Dezenas de famílias em Caratinga perderam, literalmente, o chão. São as vítimas da grande movimentação de terra que jogou abaixo, no início da semana, parte de um barranco sobre o qual situa-se uma área residencial, fato amplamente divulgado nos meios de comunicação locais.

A derrocada do barranco, que dá de frente para a BR-116, no perímetro urbano, não tirou a vida de ninguém, mas certamente matou os sonhos de muitos. De gente que, sabe-se lá através de quais sacrifícios, investiu seu dinheiro na aquisição de lotes ou de imóveis construídos no local. Ao menos um prédio foi seriamente danificado e muitos outros estão sob ameaça de desabar, pois novos deslizamentos poderão ainda ocorrer naquele ponto.

Só esperamos que não tentem nos fazer crer que tal calamidade tenha sido obra do destino ou do acaso. Desmoronamentos menores já haviam sido registrados ali, inclusive atingindo os fundos de um posto de combustíveis instalado ao pé da encosta, não se sabe, também, se em condição realmente segura. A partir daí muitas intervenções foram feitas no barranco, inclusive escavações. Teriam sido esses procedimentos o gatilho para a catástrofe? A medida técnica mais recente, o recobrimento do bloco instável de terra com concreto, para evitar uma degradação ainda maior, além de ineficaz, poderia, ainda, ter contribuído para o agravamento do quadro? E as explosões de pedras consideradas necessárias para a execução da obra, também teriam ajudado a desestabilizar ainda mais o terreno? E a fiscalização municipal? Falhou? Muitas perguntas, algumas suspeitas, mas nenhuma resposta por enquanto.  

Até o instante em que redigíamos este texto, apenas o dono do terreno em que houve a erosão havia se manifestado. Em nota pública ele expressou solidariedade aos proprietários dos imóveis sob risco de desabamento, mas não deixou claro se assumiria financeiramente alguma responsabilidade pelo ocorrido. Do CREA, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, responsável pela fiscalização de obras de edificação, estranhamente, não se ouviu nenhum pronunciamento até agora. Silêncio, também, de parte do empreendedor imobiliário que atuou no loteamento atingido.

Tomara que os prejudicados por toda essa lamentável ocorrência tenham resolvidas as suas situações, embora tema que possam ser envolvidos no famoso “jogo de empurra”, em que os responsáveis se culpam uns aos outros por aquilo que deu errado. Espero estar redondamente enganado quanto a essa previsão, para que aqueles que agiram de boa-fé em toda essa história alcancem logo sua justa compensação.
 
 
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