25/12/2020 às 21h54min - Atualizada em 25/12/2020 às 21h54min

Marias no caminho

Marias no caminho

A figura de Jesus é significativa e enigmática para toda a humanidade e, no calendário cristão, escolheu-se o dia 25 de dezembro para comemorar seu nascimento, tudo cercado de especulações, mas o fato é que e em meio a futilidades dos presentes e ceias, o nascimento de um ser que desconstruiu uma história é certa. Jesus esteve no meio da humanidade.

Apesar do aniversariante, hoje eu quero falar sobre os bastidores do nascimento, o cenário e os atores, ou melhor, uma mulher em especial, que foi de extrema importância para a vida de Jesus, quero falar sobre Maria. Não necessariamente sobre a santidade dessa ou seus poderes de intercessão junto de Deus; quero falar sobre a entrega de Maria a um projeto  tão grandioso, aceitando a posição de coadjuvante.

Maria como mulher aceitou ser mãe de um homem que se colocava no centro dos problemas que afligiam as pessoas e contra qualquer tipo de poder que não tivesse a vida como prioridade. Maria acompanhava, assistindo sem entender, mas sempre do lado de seu filho.

Muitas vezes, Maria não compreendia os propósitos, mas sentia que devia prosseguir e, assim o fez até depois da crucificação de Jesus. Sempre nos bastidores, mas atenta a preparar tudo o que fosse sua função para que o projeto de Jesus se concretizasse. “ Fazei tudo o que Ele vos disser. ”

Por que resolvi falar de Maria nesse natal? Vivemos hoje uma grande necessidade de estarmos à frente, aparecendo, nos expondo e, ao mesmo tempo queremos e pedimos a intervenção de Deus na resolução dos problemas da humanidade, mas quantas vezes nos colocamos a serviço? Dispostos a estarmos nas sombras dos bastidores, cumprindo silenciosamente uma missão com o objetivo de um projeto maior, que envolva o bem de todos?

Para que Jesus nascesse foi necessário um sim de mulheres e homens que compreenderam que a divindade se manifesta quando nos colocamos a serviço, assim abriram mão de benefícios particulares e se tornaram servos, não no sentido de escravidão, mas de serviço.

O mundo não se tornará um lugar melhor, se Marias não surgirem pelo caminho com o espírito da cooperação, da abnegação, da ajuda ao outro, do trabalho para bem-estar de todos, sem nenhum reconhecimento próprio.

Na atualidade está muito difícil ser Maria, pela simplicidade, pela humildade, resignação, silêncio, bem-aventurança. Questionamos e racionalizamos demais, enquanto as Marias apenas cumprem o que é necessário a elas para que o bem prevaleça.

Se queremos continuar a comemorar o natal como símbolo do nascimento de Jesus deveremos preparar Marias para fazerem seus papeis e doravante todas as gerações continuarem a ter o direito às bem-aventuranças. Nesse natal ave e salve todas as Marias.
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