21/01/2021 às 15h35min - Atualizada em 21/01/2021 às 15h35min

Direto da Redação

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Finalmente a tal da “luz no fim do túnel” surgiu: começou a vacinação contra o novo coronavírus no Brasil. Seria, a meu ver, uma agressão à lógica e ao bom senso negar a importância do fato. Afinal, uma vacina era tudo o que buscávamos para despachar para longe esse mal que se instalou entre nós. Porém, as coisas não são assim tão “preto no branco”.  

Sem desejar ser desagradável, mas talvez já sendo, gostaria de alertar que um entusiasmo exagerado em torno do assunto pode ocasionar fortes decepções. É que quase tudo o que se relaciona ao novo coronavírus ainda está cercado por uma nuvem de dúvidas.

Serão as vacinas hoje disponíveis, produzidas a toque de caixa, cem por cento seguras? Foram suficientemente testadas? Poderão trazer prejuízos à nossa saúde, se não de imediato, talvez em médio ou longo prazo? E mais: haverá vacinas para todos? Em quanto tempo? E se a vacinação no país empacar? Falta muito ainda para adquirirmos todas as doses necessárias; os fabricantes nos atenderão a contento? E se a distribuição falhar?

Outra preocupação é a força de imunização das vacinas que temos em mãos. A eficácia da Coronavac, por exemplo, que inclusive está sendo usada em Caratinga, não é das maiores: pouco mais de cinquenta por cento. Resolverá?

Nesse caminho nebuloso que temos trilhado, nos deparamos também com algumas certezas. Uma delas é de que qualquer vacina só mostrará resultados efetivos quando a maior parte da população estiver imunizada. E isso, no caso do Brasil mesmo, deverá levar tempo. Coisa de um ano, pelo menos, segundo os especialistas. Mas há quem fale em um ano e seis meses. Se tudo der certo.  

O que pouca gente parece atentar é que as atuais vacinas contra o coronavírus foram aprovadas em caráter emergencial. Não seria exagero dizer que estamos sendo cobaias de uma experiência científica. Que ainda espera por uma resposta. Rezo a Deus para que ela seja positiva.  
   
Tenho fé de que, mais cedo ou mais tarde, as vacinas contra o novo coronavírus cumprirão o seu papel, como cumpriram e cumprem outras vacinas. Mas, até lá, não nos resta outra opção senão a de continuarmos vivendo, como tenho repetido aqui, o chamado novo normal, nos protegendo com máscara, distanciamento social e cuidados de higiene.   

Devemos festejar sim, com toda a certeza, a chegada de vacinas contra o coronavírus. Mas que não depositemos nelas todas as nossas esperanças de libertação. Ao menos, por enquanto.
 
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