12/03/2021 às 10h39min - Atualizada em 12/03/2021 às 10h39min

Taxa de esgoto da Copasa

Sabe-se que, por força de contrato assinado com o município, a Copasa somente poderia cobrar esse valor mais alto referente à taxa de esgoto quando todo o novo sistema de tratamento estivesse completo. Não é isso que temos visto por aí.

Já está doendo no bolso de quase todos os caratinguenses. E provocando retumbantes protestos pela cidade. Falo da taxa de esgoto que passou a ser cobrada da população, que equivale a cem por cento do valor da conta de água. Se o sujeito paga, por exemplo, cem reais por mês pelo consumo de água tratada, tem que ajeitar outros cem para honrar a quitação do novo tributo.
O dinheirinho a mais, segundo a Copasa, seria para ajudar a amortizar o investimento de milhões de reais feito pela empresa na construção da estação de tratamento de esgoto local e dar manutenção ao sistema. A cobrança, de acordo ainda com a concessionária, está de acordo com o que determina a agência reguladora do setor.

Ninguém poderá criticar quem disser que a Copasa está indo com muita sede ao pote, ao promover essa cobrança bem agora, em plena pandemia de coronavírus, quando muitos vivem um sério momento de fragilidade emocional e financeira. Mas, ainda há outros “poréns”. Parece faltar, à empresa, certa transparência ao tratar do assunto. Sabe-se que, por força de contrato assinado com o município, a Copasa somente poderia cobrar esse valor mais alto referente à taxa de esgoto quando todo o novo sistema de tratamento estivesse completo. Não é isso que temos visto por aí. Qualquer um que dê um passeio pela área urbana poderá ver saindo dos fundos de muitos imóveis locais aqueles conhecidos caninhos de PVC despejando certo líquido diretamente nas águas do Rio Caratinga. Certamente, não se trata de água mineral.

Quaisquer que tenham sido as autoridades municipais que aprovaram a renovação do contrato da Copasa para explorar os serviços de água e esgoto em Caratinga, há uns bons anos, criaram um bicho de sete cabeças que agora ameaça devorar os consumidores. Em um município no qual o nível de renda da maior parte da população é dos mais baixos, em que faltam indústrias e empregos, e que também vive o drama de uma pandemia, essa cobrança a mais, de cem por cento do valor da conta de água, a título de viabilizar um sistema de tratamento de esgoto, nos parece demasiado cruel.

É bom dizer: nada contra a ideia de se tratar o nosso esgoto, muito pelo contrário. A medida só merece aplausos, por seu efeito positivo no meio ambiente e na saúde. Porém, o preço desse benefício está saindo salgado demais.

As forças vivas da comunidade estão sendo convocadas para a batalha. Que reação teremos? O certo é que essa taxa de esgoto, nos valores praticados, a população não aguenta.
  
 
 
 
 
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