23/03/2021 às 09h35min - Atualizada em 23/03/2021 às 09h35min

Ai! Que vontade que dá...

Perante tamanhas incertezas, encontrar um fio de esperança no sorriso puro de uma criança, na singeleza de uma flor. Que vontade de ser gente, mas que mesmo indigente, tivesse o direito de ser.


Tomar um sorvete gelado, ganhar um abraço apertado, soltar um grito bem surtado. Ai! Que vontade que dá... Beijar desconhecidos na rua, dar um giro no mundo da lua, deixar as coisas de pernas para o ar. Ser certo está chato, nas desvirtudes é que está o barato; talvez, viver a beira do mar.

Quisera ser filho da rua, que a humanidade pudesse andar nua, brincando para lá e para cá. Pudesse viver satisfeito, sabendo que nada é perfeito, mas no momento é o que há. Sentir cada instante da vida numa alegria perdida, sem necessidade de motivo.

Ser mais que uma mulher maluca, ser um humano biruta, mas que luta sem a sensação do cansar. Ficar pensando, que nada, pois a vida não é, se não se consegue amar. Mais que uma idéia brilhante, ter uma vida radiante, sem a presunção de ser.

Cumprimentar animais e flores, sorrir horrores, mesmo na iminência da dor, pois a vida são instantes, como diz o poeta, é uma aventura errante, sem direito de voltar. Portanto, o que vale são as aquisições da caminhada, uma vez que a chegada é uma ilusão.

Ai, que vontade que dá de ser açúcar que no grão é fortaleza, mas vira um algodão doce, sem igual leveza e encanto no sabor.
Beber água insípida sentindo o gosto, sentir a frescura do vento, no rosto; virar, desvirar, revirar, num frenético rebolar.

Perante tamanhas incertezas, encontrar um fio de esperança no sorriso puro de uma criança, na singeleza de uma flor. Que vontade de ser gente, mas que mesmo indigente, tivesse o direito de ser.

Ser uma eterna criança, sem síndrome de Peter Pan, mas com a pureza de uma certeza: de ser a vida presente, que ter é ilusão da gente que morre amanhã, mas se vive a cada dia. E é nessa sinergia é que vamos acumulando ricas lembranças.

Quem sabe virar cambalhota, dançar de maneira torta, jogar bola de gude ou de meia, observar uma aranha se emaranhar na própria teia, rir até perder a respiração? Ai ,que vontade de comer goiabada com queijo e limpar a boca num beijo, sem cunho sexual.

Viver é mais que uma carga, é maravilha oportunidade. Quem sabe tenha mesmo um pote de ouro no final do arco-íris e o milagre seja apenas uma questão de acreditar? Eu vi um menino correndo, um menino dançando, namorando, lutando e ele me faz acreditar.

A vida tem a fragilidade e a beleza de uma bolha de sabão. Prometo tentar voltar à normalidade na próxima crônica; mentira pura, café com rapadura. Para você, nosso herói, e tantos outros que lutam dentro dos hospitais para viverem o que a gente, tantas vezes, reclama, aqui fora.
 
 
 
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