08/04/2021 às 17h39min - Atualizada em 08/04/2021 às 17h39min

Kleber do Val comenta sobre morte do cantor Agnaldo Timóteo

De uns tempos para cá ele passou a ser chamado por alguns de antigo, brega, até ultrapassado. Se incomodava um pouco com esse tipo de julgamento, mas, com a autoestima mais do que em dia, no que se constituía, também, uma de suas marcas registradas, seguia em frente, “mandando ver” em shows por todo o país. O primeiro baque sério em sua vida ocorreu há cerca de dois anos, quando um AVC o acometeu. Com a garra de sempre, conseguiu se recuperar. Até que, na última semana, foi definitivamente derrotado pela Covid-19.

Mesmo quem não admirava seu estilo musical – ultrassentimental -  tem que reconhecer: em termos de técnica, afinação e qualidade vocal, Agnaldo Timóteo foi um dos gigantes do Brasil. Fez estrondoso sucesso como cantor, especialmente, nas décadas de sessenta e setenta, na era de ouro do rádio. Sempre se impôs por seu magnetismo, carisma e talento. Qualidades que ele próprio, sem falsa modéstia, fazia questão de espalhar aos quatro ventos. E que o fizeram escalar, também, a carreira política, tendo sido deputado federal e vereador em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Para Caratinga, no entanto, Agnaldo representava muito mais: era o divulgador, o propagandista da cidade que o viu nascer.  Em seu auge artístico, quando entrevistado em emissoras nacionais de TV ou rádio, se não lhe perguntavam, sempre dava um jeitinho de colocar a terra natal na conversa. Qual de nós, caratinguenses, não se sentia orgulhoso e importante nessas horas, ouvindo o nome de Caratinga ecoar por todo o Brasil?

O amor do artista pela cidade era algo unanimemente reconhecido. Ele a visitava com frequência e até a imortalizou em uma música. Qual de nós, caratinguenses, também, não sente uma pontinha de emoção ao ouvir “Os Verdes Campos da Minha Terra?”. 

Sem travas na língua. Polêmico e, às vezes, contraditório: já defendeu a ditadura militar, mas, recentemente, se disse adepto do PT e de Lula.  De uma coisa ninguém pode acusar Agnaldo: de não ter sido corajoso e vibrante em tudo o que fez.

Assim foi Agnaldo Timóteo, caratinguense por excelência; para os mais próximos, um grande coração, sempre disposto a compartilhar generosidade. Foi-se o homem, ficou a história. E que ninguém duvide de que a voz dele ressoará, para sempre, nos corações românticos e sonhadores.




 
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