26/04/2021 às 14h56min - Atualizada em 26/04/2021 às 14h56min

Desmamada com Pão

(Foto: Pexels)
Tempos difíceis exigem que boas lembranças e reflexões nos fortaleçam e, como já confessei em textos anteriores, a idade afeta nosso cérebro e as imagens de outrora tornam-se vivas, povoando nossa mente.

Não sei quantos de vocês, mas eu sou da época do desmame das crianças criadas com o leite materno. Quando chegado o momento da retirada desse, eram necessárias simpatias e estratégias para a criança não aguar. Será que as crianças águam até hoje? Queria saber utilizar de vários recursos tecnológicos para, nessa parte do texto, colocar várias carinhas simbolizando indagação.

Existia uma lata específica sobre o armário e no horário destinado às mamadas, eu recebia um pedaço de pão. Pão de sal, puro, simples. Minha irmã foi desmamada com biscoito papa-ovo e durante muito tempo considerei isso um privilégio.

Desmamada com pão. Fiz, desse, meu alimento preferido durante toda uma vida e à medida que a situação foi melhorando, pude comer um pão inteiro e até mais, quantos quisesse e aguentasse comer.

Com o tempo aprendi a acrescentar algumas coisas ao pão: manteiga, salsicha, carne, ovo, pão com ovo era minha dupla preferida, mas o pão, solitário, sozinho, sempre teve o gosto do leite materno da minha mãe, bem específico, não alimentava apenas meu corpo, mas também minha alma.
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