10/09/2021 às 14h39min - Atualizada em 10/09/2021 às 14h39min

Epifania

Momentos decisivos não surgem do nada, espontaneamente, sem nenhum pensamento ou pensamentos anteriores que produzam o resultado, por mais que pareçam insights. As revelações não surgem de forma instantânea,  mas como resultado de várias percepções que, separadas, não conseguem produzir um sentido.
 

Ouvimos muito que existe um propósito em todas as coisas, por mais que pareçam sem sentido em certos momentos, e existe parte de verdade nisso. Todas as peças do quebra-cabeça  tem um lugar e se ainda não conseguimos completar o desenho da vida é porque novas peças podem aparecer, ou algumas peças ainda estejam fora do lugar.
 

Mas, como é difícil e problemático organizar nossa mente para ,racionalmente, organizarmos nossas vidas, até porque somos mais que mente e raciocínio,  outros sentimentos podem embaralhar nossas ações não nos permitindo uma lucidez na promoção de nossas ações.
 

Com o cérebro embotado, vamos escurecendo nossa visão, tropeçando nos passos, confundindo ainda mais as ideias e os passos vão se desequilibrando, nos tirando, aparentemente, de caminhos previamente traçados. Coisas que éramos hábeis em fazer, habilidades nas quais éramos exímios vão se tornando monótonas, descoloridas e a apatia vai adentrando e nos consumindo.
 

Aquilo que, anteriormente era nossa energia, nos impulsionava à frente, torna-se banal e até ridículo e a vontade de parar e aguardar o fim nos toma. “Como seria bom poder ficarmos  sentados, esperando a morte   chegar!” Já dizia o saudoso Raul.
 

A escuridão antecede a epifania. Com a invasão da tecnologia e contato permanente através das redes sociais, apesar de solitários, quase nunca nos encontramos sozinhos e, assim, não damos espaço em nossas vidas para a escuridão e, consequentemente , a epifania.
 

Isso, no entanto, não faz colorido em nossas vidas, produz sombras acinzentadas que ofuscam o que necessitamos ver, sem, no entanto, oportunizar o momento de escuridão necessário para a explosão da luz.
 

Banalizamos o real e essencial, e vamos nos afundando na superficialidade que nos causa a estranha sensação de incompletude. Estranhos dentro de nós mesmos, desconhecidos dentro de um corpo e uma sociedade que nos aprisiona. Não sabemos quem verdadeiramente somos, mesmo tendo nossos dados pessoais cobrados cotidianamente.
 

A escuridão total, o apagamento, a ausência total da luz por instantes é necessário e saudável para que consigamos explorar nosso interior e descobrindo-nos, encontremos a grande revelação: a epifania.
 

Precisamos da escuridão em meio a esse falso caleidoscópio. Não existe vida em meio ao vazio. Que nos conscientizemos desse momento de trevas para  que a revelação do inesperado possa  nos agigantar novamente.

 

 

 
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