25/04/2019 às 14h42min - Atualizada em 25/04/2019 às 14h42min

A depressão e a falta de sentido da vida

“A depressão só é vista como doença quando a pessoa se mata. Enquanto ela está sofrendo é só frescura e ingratidão”, essa foi uma das últimas coisas que Yasmim Gabrielle compartilhou antes de optar por sua morte em 21/04/19. (https://www.portalraizes.com)

      
          Um dos maiores problemas emocionais da atualidade é a depressão. Pesquisas apontam um aumento significativo deste diagnóstico, principalmente a partir da adolescência. Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que até 2020, a doença será a enfermidade mais incapacitante em todo o mundo, causando perda na qualidade de vida. (https://www.destakjornal.com.br/saude)
          A depressão se caracteriza pela insatisfação em fazer as coisas que antes o indivíduo gostava; cansaço ou falta de energia; perda ou ganho de peso; alterações do sono; vontade de ficar isolado, afastar-se de tudo e todos; queixas físicas (dores generalizadas); abuso de medicamentos, álcool ou drogas; sensação excessiva de inutilidade ou culpa; chorar por qualquer motivo; tristeza; incapacidade para se concentrar e pensar, indecisões; irritabilidade acentuada, mal humor; desleixo com o vestir ou com a sua apresentação; culminando em pensamentos suicidas e, em alguns casos, levando à concretização do mesmo. (Viviane Brettas,2009)
          As causas da depressão podem estar relacionadas a antecedentes familiares, traumas na infância, maus-tratos, ambiente opressivo, clima de hostilidade,  perdas significativas nos anos de vida, tensão e competição, acontecimentos traumáticos, rotina, alimentação inadequada, carência de proteínas, hipoglicemia, taxas hormonais, intoxicação química, efeito de drogas e infecções viróticas,  poluições sensoriais, insegurança, imprevisibilidade, enfermidades, desemprego, separação e perda de entes queridos, agressão; insatisfação com a vida, incapacidade de enxergar possibilidades de mudança, sentir-se preso “num beco sem saída”, falta de intimidade com Deus, ansiedade e falta de propósito. (Iracema Gralha)  
          Deve-se indagar e refletir sobre o sentido simbólico da doença: Que significados esta depressão pode ter em minha vida? Que mudanças são necessárias? O que fazer?
          Embora seja um processo de sofrimento, os sintomas podem ser um convite para o desenvolvimento e a transformação, no entanto, é necessário que o indivíduo compreenda que sua depressão pode servir para levá-lo ao encontro do Si-mesmo (centro ordenador dos processos psíquicos) seu verdadeiro eu, no olhar para dentro de si mesmo, na tentativa de resgatar o entusiasmo para uma possibilidade de modificação, resgatando o reprimido, pois destituído de sua própria identidade, necessita  compreender o seu significado e não apenas tentar eliminar a dor e o sofrimento.
 
          A desconexão do mundo interno com o externo, revela que algo está faltando, a pessoa necessita então, se conscientizar e entrar em contato com esta falta e vivenciar o que está sendo negado, na integração simbólica dos conteúdos psíquicos, indispensáveis ao processo de individuação, sua singularidade mais íntima, para trazer então o sentido existencial que está no centro de toda depressão.
          O caminho para o tratamento da depressão está em o indivíduo adicionar à sua consciência a energia psíquica acumulada no inconsciente e que deixou vários aspectos da vida sem expressão e realização. O sofrimento pode levar ao aprendizado, é uma maneira do eu se confrontar com a energia reprimida, a fim de concentrar tempo ao essencial, e levar luz para a escuridão, só assim conseguirá ouvir a si mesmo. 
          Desta forma, ocorre uma mudança de comportamento na vida do indivíduo. É como se a alma e o corpo estivessem pedindo, implorando, para a pessoa perceber que há algo muito maior que o mundo externo, valorizando as conquistas internas e o direito de viver uma vida completa, com paz, harmonia e realização!
          É preciso, tolerar o sofrimento, refletir essa dor, acolher e dar-lhe voz para que ela possa se fazer ouvir. Assim, o mal que assalta o indivíduo se transforma e abre espaço para as múltiplas possibilidades do seu ser interior.
          Se tivermos deixado para trás uma parte vital de nós mesmos, é essencial que voltemos para encontrá-la, trazê-la à superfície, integrá-la, vivê-la. Há uma tarefa a ser cumprida. É necessário coragem para valorizá-la, respeitá-la e não eliminá-la.
          O caminho para a cura da depressão está em fazer retornar à consciência, a energia psíquica que ficou retida no inconsciente. Torna-se necessário identificar a mensagem simbólica que se encontra por detrás do sintoma.
          Enquanto a depressão e "as mortes simbólicas" não forem compreendidas e levadas a sério, continuarão ceifando vidas precocemente! É fundamental, dar à dor emocional a importância que ela tem e merece.
 
"Somente o que realmente somos tem o poder de curar-nos". (Jung)
 
Eneide Caetano
 
Analista Junguiana membro da International Association for Analytical Psychology (IAAP), Associação Junguiana do Brasil (AJB) e Instituto C. G. Jung/MG 
Diretora de Comunicação do ICGJUNG-MG (gestão 2017/2020)
Especialista em Sexualidade humana e Educação Sexual
Psicóloga Perita Examinadora de Trânsito
30 anos de experiência profissional
 

 
 
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