06/12/2021 às 15h43min - Atualizada em 06/12/2021 às 15h43min

Pois é...

Confira a crônica de Simone Aparecida Caperucci

Quando a gente se mete a fazer alguma coisa achando que sabe, pode saber que a dor de cabeça vai surgir porque ninguém sabe é nada de nada. Por isso, aqui estou eu. Sem nenhuma condição de escrever, exatamente quando nasci como escritora. Antíteses das antíteses. A minha editora cansou de cobrar e o responsável pelas publicações resolveu assumir seu lugar. “Ócios” do ofício. Para não perder o restante da dignidade que me resta, a melhor coisa é continuar a fingir, agora com o peso de um nome.

Quando seu nome não é nada e a insignificância é nossa única sombra, a paz e tranqüilidade nos fazem leves; flutuando é possível chegar nas alturas mas ,de repente, a titulação torna-se um fardo e escrever, que deveria ser uma simples transcrição para a comunicação escrita, torna-se um desafio. Labirinto de ortografias, sintaxes, regências e concordâncias, território movediço mesmo para professores de Língua Portuguesa e assunto para minha imprescindível editora.

A mim cabe a função de apaixonar e transcrever, e então percebo que a ausência na escrita significa a falta de paixão, sentimento esse tão necessário para o tesão da vida. Quando nada atrai nem chama nossa atenção é porque falta o vigor que torna tudo mais vivo, faz-nos sentir o frio na barriga, a famosa excitação que antecipa o gozo. Não é possível escrever se nada nos toca.

Tocado pela necessidade de excitação, o artista sofre pela falta de inspiração e quando não se tem técnica... Pois é... Técnica, após escrever sem ser escritora, vou precisar de um curso sobre técnicas de escrita que  nos desenvolvam a sensibilidade, os olhos como janelas que me permitam ver, mais que ver, sentir novamente a humanidade. Se algum leitor puder auxiliar essa náufraga, ficarei extremamente grata.

Como vencer os desafios que nos propomos durante a caminhada? Como seguir após chegar ao cume? Situações que se apresentam como novos desafios e acrescentam indagações em nossa trajetória. Viver é mais sonhar... mas sem os sonhos torna-se impossível viver. UI, AI! Boa era a época da rima, submeter-se à crítica severa do ápice da existência não é fácil para ninguém. Será que já posso terminar? Pois é...
 
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