09/05/2019 às 15h38min - Atualizada em 09/05/2019 às 15h38min

Vivências pessoais e coletivas dos aspectos maternos

“Mãe é amor materno, é a minha vivência e o meu segredo. O que mais podemos dizer daquele ser humano a que se deu o nome de mãe, sem cair no exagero, na insuficiência ou na inadequação e mentira. [...] No entanto, sempre o fizemos e sempre continuaremos a fazê-lo. Aquele que o sabe e é sensível não pode mais sobrecarregar com o peso enorme de significados, responsabilidades e missão no céu e na terra a criatura fraca e falível, digna de amor, de consideração, de compreensão, de perdão que foi nossa mãe.” (Jung, 1950)


          Trazemos na estrutura psíquica uma representação primordial herdada que reúne todas as experiências relacionadas à maternidade, acumuladas durante milênios pelas experiências da humanidade em relação à mãe: trata-se da imagem arquetípica da Grande Mãe no inconsciente coletivo (comum a todos) e do complexo materno a nível pessoal.
          A maternidade é uma característica feminina instintiva e arquetípica, com aspectos de abdicação e cuidado, bem como atributos sombrios da mãe castradora e destruidora. Através de sua vivência com a própria mãe, o ser humano relacionar-se-á com esta como uma mãe amorosa ou mãe terrível de acordo com as qualidades da mesma, que ativará no inconsciente do filho a representação positiva, que está ligada aos instintos amáveis que proporcionam afago, sustento, fertilidade e assegura crescimento, ou negativa, como mãe devoradora, que seduz, asfixia, abandona, aprisiona e está ligada à obscuridade e ao reino dos mortos.
          Em nossas experiências pessoais, o complexo materno se estrutura com as ideias, pensamentos, sentimentos e afeto que temos sobre a nossa mãe. Desse modo, temos uma “mãe interior”, uma representação na psique que atua e reage de forma semelhante ao da experiência da infância com nossa própria mãe, das figuras maternas de nossa vida, assim como das representações da mãe boa e da mãe má, apresentadas pela cultura.
            Se houve problemas com a mãe concreta no passado, na psique, uma cópia da mãe age, reage e fala igual à do passado e terá as mesmas importâncias e ideias a respeito de como uma mãe deve ser e agir. Trata-se de um dos aspectos centrais da psique, e é importante reconhecer sua condição, reforçando certas características, corrigindo algumas, arrancando outras, e começando tudo se necessário for (Estés, 2018).
          No conto “O Patinho Feio” a mãe do patinho o desamparou no momento que ele mais precisava. Clarissa P. Estés em seu livro Mulheres que Correm com os Lobos, ao analisar este conto, considera 03 tipos de mães - mãe ambivalente, mãe prostrada e mãe sem mãe - cada uma exercendo reações diferentes, porém fracassadas em situações de conflito, bem como, deficientes de conhecimento sobre a maternagem em suas qualidades arquetípicas de cuidado, amparo, afeto e carinho, que naturalmente está presente em uma mãe que se dedica a assistir os filhos com amor. 
          Muitos filhos que conviveram com mulheres que não souberam e não conseguiram ser mães sofreram pela falta de apoio e não desenvolveram adequadamente a percepção de segurança, confiança e de direcionamento para a vida. Sem essa referência, muitas mulheres não sabem como ser mães no momento da maternidade e os homens se tornam trancados para o mundo, para os relacionamentos, sem confiança em si mesmos quando adultos, com ausência de preparo para viverem plenamente suas vidas. 
          Que as mães aprendam e reaprendam o sentido amplo de educar, estar presente e à disposição do filho para ampará-lo nos primeiros cuidados, dando amor, transmitindo-lhe segurança, mas também impondo limites, tão essenciais na formação de crianças e adolescente, enfim, mantendo-se continuamente atentas com suas atitudes e suas próprias formações pessoais, pois é através do exemplo que formarão filhos conscientes e adultos preparados para viverem e enfrentarem as adversidades da existência em busca de suas realizações!
 
Eneide Caetano
Analista Junguiana membro da International Association for Analytical Psychology (IAAP), Associação Junguiana do Brasil (AJB) e Instituto C. G. Jung/MG 
Diretora de Comunicação do ICGJUNG-MG (gestão 2017/2020)
Especialista em Sexualidade humana e Educação Sexual
Psicóloga Perita Examinadora de Trânsito
30 anos de experiência profissional



 
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