20/05/2019 às 14h18min - Atualizada em 20/05/2019 às 14h18min

Todo dia é dia de combate ao abuso e à exploração sexual infantil

"O corpo tão vitimado pelo terror e lascívia sexual começava a ser visto como um vil peso para a alma, a dimensão do mesmo é digna de flagelo e calvário; o corpo não se harmoniza com a psique, a psique não aceita o corpo obsceno e imundo." (sentimento de uma alma ferida)

Eneide Caetano
          Dia 18 de maio é o dia nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes e, debater este assunto é uma forma de alertar sobre o que acontece diariamente em muitas famílias. Frequentemente, no trabalho clínico, recebemos queixas de clientes em busca de ajuda para se livrarem de danos causados por abusos sexuais sofridos.
          Ao falarmos em abuso sexual infantil, deve-se entender que se trata de: “[...] pressionar a criança a se envolver em atividades sexuais,  exposição dos órgãos genitais, partes íntimas, etc., para uma criança com a intenção de satisfazer os seus próprios desejos sexuais, ou para intimidar ou aliciar a criança, ter contato físico sexual com uma criança, ou usar uma criança para produzir pornografia infantil.”.
            Não podemos esquecer que nossas raízes culturais estão impregnadas de uma visão distorcida da sexualidade; recebemos uma herança machista, repressora e sexista sobre a prática sexual e, como consequência observa-se o crescimento da erotização infantil, as DSTs, a banalização do que é sensual, os diversos casos de gravidez indesejada em adolescentes, os desvios, perversões e disfunções sexuais, as parafilias (preferências sexuais incomuns e que, em alguns casos, podem ser considerados doença ou até mesmo um crime), e todas as inadequações que dificultam a que se possa administrar adequadamente a sexualidade.
          Nos últimos anos, o Brasil teve um aumento considerável nos balanços gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde. A maioria das ocorrências aconteceu dentro de casa e os agressores são pessoas do convívio das vítimas, geralmente familiares. É obrigatória a comunicação de qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes ao Conselho Tutelar, conforme recomenda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
          Para mudar este cenário é importante prevenir combatendo o preconceito de que falar sobre sexualidade é estimular a criança a ter relação sexual. Na verdade, é o contrário disso. Os pais precisam se preparar para orientar os filhos e devem ficar atentos ao que se passa com eles, pois a vítima apresenta mudanças de comportamento: fica em silêncio, se fecha, tem alterações do sono, falta de concentração, toca insistentemente as partes íntimas, apresenta marcas de agressão, doenças sexualmente transmissíveis, dor de cabeça constante, erupções na pele, vômitos, dificuldades digestivas, entre outros. Nos estudos; queda no rendimento escolar, dificuldades de concentração e aprendizagem, pouca participação em atividades escolares e isolamento social, tudo isto pode indicar uma situação de abuso.
          O modelo comum de abusador é especialista em controlar, humilhar e manipular emocionalmente a criança ingênua; com isso, costuma ganhar a confiança da mesma fazendo com que ela se cale. Geralmente, ele convence a criança de que ela será desacreditada se contar algo; que ela está gostando ou que é também culpada pelo abuso e será castigada por isso.
         Crianças e adolescentes que não têm o apoio físico e emocional da família, que é controlada através do medo, humilhação, manipulação, que sofre negligência, incompreensão e falta de cuidado estará em situação de maior vulnerabilidade e os maus tratos que sofre em casa os farão repetir os padrões vividos. Dessa forma, carentes e com baixa autoestima, são presas fáceis dos abusadores e na vida adulta, se envolvem em relacionamentos abusivos.
          A exploração sexual de crianças e adolescentes pode aprisionar a vítima na prática da sexualidade patológica e suas consequências psicológicas doentias, levando o indivíduo a perpetuar as experiências passadas ou mudar de lado, continuando a cena sexual infantil traumática do abuso, se tornando ele mesmo um abusador.
          Vamos cuidar com atenção, carinho e amor de nossas crianças, a prevenção é a melhor maneira de combater e romper o círculo vicioso!   
 

        “UM homem saudável não tortura os outros. 
        Em geral, é o torturado que se torna   o  torturador.”
(Jung)
 
Eneide Caetano
Analista Junguiana
Membro da International Association for Analytical Psychology (IAAP),
Membro da Associação Junguiana do Brasil (AJB) e Instituto C. G. de Jung/MG
Diretora de Comunicação do ICGJUNG-MG (gestão 2017/2020)                                  
Especialista em Sexualidade humana e Educação Sexual                                                     
Psicóloga Perita Examinadora de Trânsito
30 anos de experiência profissional
 
Fontes:
Conceito de abuso sexual: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Abuso_sexual_de_menor).
Sobre parafilia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Parafilia
Dados sobre abuso no Brasil: (https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia)
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