03/06/2019 às 09h23min - Atualizada em 03/06/2019 às 09h23min

Renunciar

Em tempos de autossuficiência, em que achamos que podemos tudo, aprender a renunciar torna-se um bom começo.

Renunciar não é uma tarefa fácil, exige desapego, segurança, em muitos casos, saber o que de fato se quer, ser persistente, ter um olhar além das montanhas.
 
Renunciar faz parte da vida humana. Vivemos renunciando a todo momento. E devemos aprender e crescer com as renúncias. A grande questão está em como lidamos com as renúncias que fazemos. Se estamos preparados para ela, ou até mesmos se nos preparamos para tal ação.
 
Renunciar pode apresentar um caminho sem voltas. Por exemplo, de acordo com as tradições da Igreja Católica, quando uma pessoa decide ser padre ela está renunciando a possibilidade de uma vida conjugal oficializada pela própria igreja.
 
Renunciar é estar consciente que nunca teremos tudo e que o ato de escolher também significa abrir mão de algo. Quando escolhemos uma profissão abrimos mão das demais.
 
Renunciar pode apresentar a descoberta de novos valores e sabores. Dentre várias possibilidades vou citar um exemplo, quando um casal renuncia a vida sem filhos, permite a possibilidade de conhecer e vivenciar o amor de ser papai e mamãe. E só quem é pai e mãe sabe o que isto significa.
 
Renunciar pode ser tornar um peso, quando o fazemos sem querer. Renunciar pode se tornar um alívio, quando é conscientemente realizado. Renunciar pode ser tornar fuga, busca, conflito, solução...
 
Renunciar pode significar um passo que é dado para trás, mas que nos permitirá a distância necessária para grandes saltos. Renunciar significa a coragem de deixar de fazer o corriqueiro em prol de grandes conquistas. 
 
Em tempos de autossuficiência, em que achamos que podemos tudo, aprender a renunciar torna-se um bom começo.
 
Walber Gonçalves de Souza é professor e escritor.
Link
Relacionadas »
Comentários »
" data-width="400" data-hide-cover="false" data-show-facepile="true">