19/06/2019 às 10h17min - Atualizada em 19/06/2019 às 10h17min

Caratinga: uma história de 171 anos

24 de junho: uma data muito especial, pois foi nesta data há exatos 171 anos, no ano de 1948, que simbolicamente registrou-se o "surgimento" de Caratinga, o início de um pequeno povoado. Começa a nossa História, daquela que viria a ser, por um determinado tempo, uma das maiores cidades do interior das gerais. Somente em 24 de maio de 1892, pelo decreto nº 23, tornávamos oficialmente o mais novo município do Estado de Minas Gerais.   
  
Ao longo de todos estes 171 anos, a História de Caratinga pode ser percebida e analisada levando em consideração muitos pontos em comum. Podemos afirmar que, praticamente em todas estas 17 décadas, economicamente, sempre tivemos envolvidos com alguma atividade extrativista ou agrícola. Por ironia do destino até o nome de Caratinga, apesar das controvérsias, é fruto desta relação. Para alguns o nome é derivado de um tubérculo, à época de muita abundância na região, chamado cará, para outros devido a forte presença, nos nossos rios e córregos, de um peixe chamado cará. Há ainda uma terceira hipótese que aponta a existência em nossas matas de um macaco de cara branca, vindo daí o nome.

O desenvolvimento econômico e social do município de Caratinga, pode-se observar, que sempre esteve ligado a uma atividade envolvida com alguma referência rural. Neste cenário, a cidade foi se formando. A Antiga Praça da Estação, diga-se a estrada de Ferro Leopoldina, talvez seja o símbolo desta forma de desenvolvimento, por se tratar de uma via de escoamento de produtos e fomento ao comércio. Por muito tempo Caratinga figurou entre as cidades, economicamente, mais importantes do Estado, justamente na época em que aqui realizavam-se diversos tipos de atividades econômicas.

Nossa vocação agrícola, faz parte da nossa identidade. Dela derivam as demais práticas econômicas do nosso município, podendo ser percebidas raras exceções. Mas hoje almejamos por dias melhores. Queremos mais! Queremos desenvolvimento, tanto no aspecto econômico, quanto social. Parece que estamos vivendo um momento de crise de identidade. Pois acreditamos que estes dias não são compatíveis com nossa vocação agrícola. Aprendemos a ver o campo como sinônimo de atraso e pobreza. Mas será mesmo uma verdade esta forma de pensar?

O nosso município é formado, em sua maioria, por pequenos e médios produtores rurais. Em quase todas as propriedades rurais, nota-se a presença do café e/ou do gado. Em contrapartida não há no município nada que agregue valor a estes produtos. São praticamente vendidos in natura, obviamente, por um preço ínfimo. Portanto, agregar valor a estes produtos é um nicho empresarial a ser explorado. E com ele a possibilidade de dias melhores!

Outro ponto que merece uma bela discussão, entre produtores rurais e engenheiros agrônomos, é a possibilidade de incrementar em nossa região a produção de frutas. Somos carentes de uma variedade deste tipo de alimento. E pelo que se percebe nossa macrorregião também. Como somos caracterizados pela existência de diversos microclimas acredito que vários tipos de frutas se adaptariam, sem grandes problemas, em nossa região. Poderíamos virar, a exemplo do que acontece na região de Petrolina, em Pernambuco, uma cidade exportadora de frutas e dos seus derivados (agregando valor). Há experiências, de forma amadora, realizadas com sucesso, por alguns agricultores da região, produzindo melancia, lichia, maracujá... criando assim, mais uma possibilidade de dias melhores!

Mas para tudo isto acontecer, não podemos cometer os mesmos erros que há 171 anos estamos cometendo. Pensar agricultura de forma rudimentar e amadora. O termo agronegócio, nasce justamente aí, para redimensionar esta nova forma de pensar o campo. E talvez este seja o grande entrave que devemos enfrentar: qualificar, verdadeiramente, a mão de obra camponesa. E isto não é uma tarefa fácil, pois envolve a quebra de paradigmas, de conceitos, de cultura, de valores, de padrões... de interesses públicos, no sentido político da expressão.

Qualificar o campo, em todos os seus aspectos, será o grande passo que daremos em busca de dias melhores! Precisamos estabelecer políticas públicas com este objetivo. Qualificando as práticas rurais, evitaremos o êxodo rural, fomentaremos a economia, teremos uma maior oferta de tipos de alimentos, prática que deveria ser acompanhada por um economista, para evitar problemas com a lei da oferta e da procura, valorizaremos nossos centros de educação, proporcionaremos visões empresariais para as atividades correlacionadas com as práticas rurais, agregando valor, e com base nela outras oportunidades surgirão por consequência.

Precisamos, urgentemente, quebrar o mito do campo como caminho do atraso, faz-se necessário transpor esta barreira ideológica. Acreditar no campo é acreditar no nosso maior potencial e com ele a certeza que dias melhores virão!
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