19/06/2019 às 11h02min - Atualizada em 19/06/2019 às 11h02min

COMUNHÃO

Segundo o dicionário online de Português, comunhão é um substantivo feminino. Ação ou efeito de comungar, de realizar ou desenvolver alguma coisa em conjunto. Harmonia no modo de sentir, pensar, agir; identificação.

Quando estava imaginando um assunto para ser apresentado a está coluna, muito honrada pelo convite e ao mesmo tempo ciente da responsabilidade do ato, várias questões povoaram minha mente, parodiando o mestre famoso: “escrever é preciso, viver não é preciso.”, pois na verdade, para o escritor escrever é do mesmo campo semântico que viver, ou melhor, a imortalidade é conseguida no ato de escrever, assim, verdadeiramente, escrever é mais importante que viver.
Divagações a parte, entre as diversas idéias surgidas, assentou em meu pensamento a perspectiva das frustrações e angústias contemporâneas, a ausência da paz, os diversos transtornos como ansiedade, depressão e outras doenças que vêm sugando a qualidade de vida na hodierniedade. A palavra que resumiu todas as causas desses problemas foi COMUNHÃO.

Analisando as diversas possibilidades de sentido dessa palavra, pensei inicialmente na idéia central da espiritualidade de diversas religiões que conceituam o poder de Deus no incrível mistério da Santíssima Trindade: A comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a comunhão da Trindade permite que Deus, indivisível, se reparta em três, sem, contudo,  perder a Unidade.  Religiosidade a parte, pensei na trindade humana, dividida em corpo, alma e espírito, assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

As mazelas contemporâneas resultamda ausência de comunhão entre essas três partes humanas que são indivisíveis. O ser humano, hoje, não consegue sintonizar harmonicamente, suas idéias, anseios, desejos e corpo. A angústia, a tristeza, a sensação de falta, de incompletude transforma o ser humano em escravo de si mesmo.

Escravo de desejos que vão de encontro ao natural: deseja-se a maturidade mental e a jovialidade do corpo, tudo de material e tempo para usufruir, deseja-se o infinito, sem perder os gozos instantâneos.

Nesse caos, as referências se perderam, instituições pilares são colocadas em xeque e a vida segue dando a cada ser humano muito mais incertezas do que certezas. Não essas dúvidas que provocam o crescimento, mas incertezas que geram medo. Citando Edgar Morin, “tudo o que é sólido, dissolve no ar” e essa incerteza, deixa o ser humano crivado, dividido.

O que fazer, a quem recorrer? Mais que nunca a necessidade da comunhão entre as três partes que fazem o indivisível, divisível, faz-se necessário. Unir pensamentos, emoções e ações, numa sintonia bastante harmônica para permitir que se tenha um foco, um objetivo, uma finalidade.

Quais os desejos e aspirações do ser humano na contemporaneidade? Assim como em todas as épocas, o principal objetivo de um ser humano sadio, saudável é ser feliz. Portanto não se pode perder a essência descrita pelo verbo: SER.

Antes de qualquer outra coisa SER HUMANO, não apenas no aspecto da racionalidade, mas sobretudo da perspectiva de SER alguém que pensa e por isso ama, pensa e como HUMANO é solidário, ama a si mesmo e ao próximo, vive em COMUNHÃO consigo e seus próximos, criando redes de solidariedade e amor.A harmonia traduz o objetivo comum, vivermos como pertencentes a uma espécie, ao mesmo tempo, respeitando a individualidade de cada um.Comunhão consigo e com os demais.

Simone Aparecida de Souza Capperucci
Formada em Língua Portuguesa e suas literaturas pelo Centro Universitário de Caratinga ( UNEC ) em 1997, pós -graduada em Língua Portuguesa em 1998 pelo UNEC,especialização em Literatura e Línguística aplicada em 2005 pelo UNEC, mestre em Educação e Linguagem pelo UNEC em 2010.Professora de Língua Portuguesa nas séries finais do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino do Estado de Minas Gerais, desde 1996 E professora do Curso de Letras no UNEC, desde  2005.
Link
Relacionadas »
Comentários »
" data-width="400" data-hide-cover="false" data-show-facepile="true">