22/08/2019 às 10h58min - Atualizada em 22/08/2019 às 10h58min

ウィンドウズ

Tóquio, Osaka ou qualquer uma das grandes cidades japonesas nos faz pensar sempre nas belas paisagens, na perseverança, na renovação. Ao mesmo tempo, dessas janelas japonesas podemos sentir a força da tradição, o empenho e dedicação na manutenção de uma cultura. Cidades devastadas, na segunda guerra mundial, no entanto, país que se ergueu e se orgulha do que se tornou no cenário mundial.

Mas quando reparo bem percebo uma coisa que difere o Japão de muitos outros países, que é a questão do olhar para dentro de si, sem muita questão de aparecer para os outros, a questão da introspecção.

Tão difícil calar na atualidade para ouvir, ouvir o outro e principalmente ouvir a nós mesmos. Saborear nossa companhia e nosso interior, não numa perspectiva de vida solitária e reclusa, mas no sentido de conhecermos a nós mesmos, nossas qualidades, nossos defeitos, nossos limites.

Algumas pessoas têm pavor de se imaginarem sem nenhuma companhia, sem alguma atividade social, não suportam a companhia delas mesmas. Necessitam estarem sempre rodeadas de pessoas e, no entanto, em seus íntimos sentem-se solitárias.

Conviver com a gente mesmo precisa ser exercitado, construído. Não falo aqui das pessoas que ficam trancadas em seus quartos ou suas casas em frente a celulares e computadores nas redes sociais, esse é apenas um disfarce para aqueles que mais sentem necessidade de estarem rodeados de pessoas. Quando falo aqui da necessidade da introspecção falo daquelas pessoas que verdadeiramente sentem prazer com suas próprias companhias.

Aquelas pessoas que, andando sozinhas pela rua, conversam com elas mesmas, sorriem com suas lembranças, sentam na praça ou nos bares para saborear alguma coisa como desculpa, mas na verdade estão a admirar os espaços, as pessoas, porque as pessoas que se apreciam, também apreciam as outras pessoas, gostam de estar em outras companhias, só aprenderam que antes de tudo devem estar bem com elas mesmas.

Estar na companhia de nós mesmos não significa fechar a janela, ao contrário, implica em estar tão livre para a afetividade que aprendemos a estar em paz com nós mesmos. Dentro dos princípios cristãos o mandamento resume-se em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Muitas vezes focamos a doutrina na primeira parte do mandamento e esquecemos o restante: amar ao próximo como a nós mesmos, ou seja, é preciso nos amar. Amar a nós mesmos. Muitas vezes vivemos apenas em função da aprovação do outro, da necessidade do outro e esquecemos de nós mesmos, por isso a necessidade de olharmos com atenção e imenso carinho para quem somos.

Quando olhamos a postura corporal dos japoneses é perceptível uma postura do corpo voltada para dentro, para elas, assim atividades relacionadas à meditação, a contemplação fazem parte do ritual de vida delas. Quando olhamos para nós?  Tanto na perspectiva exterior, quanto interior?

O que mais te atrai no seu corpo? Você tem costume de se observar? Qual o formato de seus dedos dos pés? Como é seu umbigo? Você tem uma cor preferida? Uma música que te acalma? Qual é a relação de você com você mesma?

Importante lembrar que essa introspecção não transforma ninguém numa pessoa egoísta, ao contrário quem está bem espalha o bem. Quais são suas necessidades? Suas vontades? Seus planos? Quanto tempo você reserva para você durante o dia ou durante a semana? Quem é a prioridade em sua vida?

Muitas vezes nos preocupamos com nossa família, com nossos filhos, nosso emprego e nos esquecemos de nós, daí o esgotamento, o vazio existencial. Não é fácil reaprender a ser o centro de sua vida quando se viveu em função do outro, mas é necessário se cuidar para viver com qualidade.

Cada vez mais necessitamos de remédios e médicos de diversas especialidades para segurar o ritmo que estamos impondo as nossas vidas, remédio para dormir, diminuir a ansiedade, completar o vazio. Alguns se doam demais para outros que nunca se doam. Nesse desequilíbrio todos ficam insatisfeitos.

Se não for numa meditação profunda, ou numa introspecção íntima, que seja numa conversa livre e franca de você com você. Quanto você se ama, o quanto se sente em paz com sua própria companhia, o quanto se dedica a você? Abra uma janela para dentro de você e analise de onde veio o que já conquistou, qual direção pretende seguir?

Após as perguntas, deixe-se responder. Caso as respostas não venham rapidamente, tudo bem, dê a você tempo para analisar e responder, lembrando-se sempre que a melhor companhia para você é você mesma.A janela para dentro de nós deve estar sempre aberta e ao início ou final do dia esse encontro é essencial.Antes de qualquer outra atitude que suas ações sejam para e por você.

Difícil, mas necessária janela, que o estilo de vida dos japoneses e demais pessoas que aprenderam a olharem para elas mesmas seja nossa inspiração. Ho'oponopono nas janelas interiores de cada um de nós.
Link
Relacionadas »
Comentários »
" data-width="400" data-hide-cover="false" data-show-facepile="true">