03/10/2019 às 10h28min - Atualizada em 03/10/2019 às 10h28min

Venster

Essa seria quase a história de uma crônica que não foi escrita, sugada pelas ocupações capitalistas da vida contemporânea, mas o escritor é acima de tudo,  um “forte” e a intenção é que a publicação dessa saia em tempo hábil.

Da janela de hoje vamos visualizar um espaço geográfico, muitas vezes, relegado na história a  uma situação de fome, pobreza e  miséria. Venster, vai nos mostrar um pouquinho da África, essa mesmo, a África que vai muito além do país África do Sul, a África, continente, com seus mistérios, suas belezas, mazelas e riquezas.

Essa linda imagem  de Joanesburgo, uma das principais cidades da África do Sul, ilustra que a imagem que temos do continente africano é um tanto distorcida;  em meio aos problemas, existem belezas.

O continente africano ofereceu e oferece à civilização,  raízes que nos fazem saber de onde viemos, quem somos. Sendo negra, eu  me identifico com o continente africano, encontro lá minhas raízes, meu eixo, penso que como eu, tantas outras pessoas também possuem lá, parte de sua história.

Mesmo com tantos horrores, como foi o caso dos negros escravizados, durante grande período, prefiro olhar para a África com gratidão, seus costumes e lendas ampliaram nossa perspectiva de mundo, ampliaram nossa humanidade.

Nessa Janela africana quero destacar a grandiosidade das religiões que percebem a existência de um Deus, dentro de cada um de nós, a necessidade de   sermos  um TODO para sermos UM.

UBUNTU, independentemente da tonicidade da palavra, na verdade é uma palavra paroxítona, não é traduzível, mas traz a idéia de humanidade para todos, ou seja, Ubuntu é uma palavra que apresenta significados humanísticos como a solidariedade, a cooperação, o respeito, o acolhimento, a generosidade, entre muitas outras ações que realizamos em sintonia com a nossa alma, com o nosso ser interno, buscando o nosso bem-estar e o de todos à nossa volta.

“O UBUNTU não significa que uma pessoa não se preocupe com o seu progresso pessoal. A questão é: o meu progresso pessoal está ao serviço do progresso da minha comunidade? Isso é o mais importante na vida. E se uma pessoa conseguir viver assim,  terá atingido algo muito importante e admirável." (Nelson Mandela).

Seguindo o conceito de Ubuntu, gostaria de, hoje, dessa Venster, refletir como a nossa sociedade está se relacionando hoje, qual a principal  meta da vida de cada um de nós?Reportando a Mandela: o meu progresso pessoal está ao serviço do progresso da minha comunidade?

Triste reflexão que me leva a entender que as angústias, frustrações e decepções do ser humano atual está diretamente ligada a essa questão.

Estamos sendo, demasiadamente individualistas, centrados no próprio umbigo e as nossas conquistas individuais não são suficientes para suprirem nossas necessidades, pois não somos UM, somos TODO. Mesmo que não queira, a dor do outro, dói em mim.

Até quando viveremos numa sociedade egoísta e sofredora é uma decisão de cada um de nós; sermos felizes, sendo TODO, ou infelizes,  sendo UM. Muitos poderão pensar que, mesmo que queira,  não conseguirá sozinho, e aí reside o segredo; quando cada um deseja, a parte vira TODO, e  parafraseando  Edgar Morin, a soma das partes, acaba sendo maior que o TODO.

Se cada um de nós experimentar fazer a sua parte, sendo mais cordial, mais amigo, mais humano, transformando nossas atitudes diárias, como uma saudação sincera, com um sorriso, um abraço aconchegante àqueles que são parte de nosso dia, compartilhar um lanche, uma notícia boa, pegar na mão do outro e dizer , olhando nos olhos,  que estará junto dele, mesmo que ficar do lado, pegando na mão, seja a única coisa que se possa fazer.

Apoiar o outro, ser solidário, generoso, respeitoso, são gestos que podem transformar nosso entorno, nossa comunidade e a humanidade. Saber que SOU porque SOMOS é a chave para resgatar a nossa humanidade.

A África, continua nos indicando nossas raízes, dando setas, mostrando caminhos. Essa é nossa última lição, dessa Venster. A dor, a tristeza, os problemas, fazem de cada um de nós pessoas melhores ou piores, a escolha é de cada um de nós.

Eu sei que SOU porque SOMOS. UBUNTU, conceito de um continente, mas, escancarado numa venster  para o mundo inteiro. Até a próxima janela.


Simone Aparecida de Sousa Capperucci
Formada em Língua Portuguesa e suas literaturas pelo Centro Universitário de Caratinga (UNEC) em 1997, pós-graduada em Língua Portuguesa em 1998 pelo UNEC, especialização em Literatura e Línguística aplicada em 2005 pelo UNEC, mestre em Educação e Linguagem pelo UNEC em 2010.
Professora de Língua Portuguesa nas séries finais do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino do Estado de Minas Gerais, desde 1996 e professora do Curso de Letras no UNEC, desde 2005.
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