27/03/2019 às 10h33min - Atualizada em 27/03/2019 às 10h33min

Direto da Redação

Kleber do Val

Para muitos, no Brasil, parece que bacana mesmo é ser contra a lei. Alguns representantes dessa corrente de pensamento, se não têm a coragem de aderir pessoalmente ao crime, passam a admirar, a elogiar e até a defender quem o faz. Assim, não é de hoje que golpistas, malandros, enganadores, traficantes e até assassinos encontram quem os veja sob uma aura de encanto e de glamour.

O inglês Ronald Biggs ficou famoso no Brasil, para onde fugiu na década de 70, após ter participado do assalto a um trem postal em seu país. Aqui, frequentava livremente festas chiques no Rio de Janeiro e dava muitas entrevistas a revistas, jornais, TVs e rádios. Era reverenciado e até invejado.

Mais recentemente, Cesare Battisti, um terrorista convertido ao comunismo, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos na Itália, ficou refugiado no Brasil sob a proteção do então governo de esquerda, só tendo sido extraditado para seu país de origem este ano, com a mudança dos ventos políticos por aqui. Para seus defensores, era um herói.

Durante os protestos de 2013 no país, os black blocs, grupos de choque combatentes do capitalismo e que destruíam tudo o que encontravam pela frente, receberam o apoio do cantor e compositor Caetano Veloso: o artista apareceu nas redes sociais cobrindo o rosto com um pano preto, à moda dos truculentos manifestantes, para homenageá-los.  E há, também, os funks “proibidões” que fazem apologia ao crime e ao tráfico de drogas, cantados alegremente por frequentadores de bailes que tocam esse tipo de música. 

Parecem não ter fim os exemplos de apoio que muitos, no Brasil, dão a quem se comporta mal.  Caratinga não foge a essa regra não. Recentemente, uma operação da Polícia Militar enquadrou um indivíduo acusado de administrar um grupo de WhatsApp cuja grande missão era avisar aos participantes sobre onde estariam atuando os agentes em determinado momento. Assim, quem visualizava ou ouvia as mensagens conseguia escapar de blitzen de trânsito e de outras operações policias. Publicada a notícia da prisão, não é que, nas redes sociais, muitos foram os que saíram em defesa do suspeito? “Será que a polícia não tem mais o que fazer”? “Mas o menino não fez nada de tão ruim”; “Chega dessa máfia das multas”, foram alguns dos comentários. Será que esses “do contra” não pensam que alguns dos participantes do grupo poderiam ser os mesmos que, devidamente avisados e protegidos, talvez assaltassem ou agredissem um trabalhador? Ou, quem sabe, atropelassem alguém ao conduzir, bêbados, algum veículo?
É, parece ter passado da hora de escolhermos de que lado estamos. E você, de que lado está?  
 
Kleber do Val é formado em magistério, jornalista com registro no Ministério do Trabalho e radialista há 40 anos, sempre atuando no Grupo Sistec, onde é, também, editorialista. Repórter do informativo “Rádio Notícias”, levado ao ar em sete edições diárias, na Rádio Caratinga, apresenta também a coluna de opinião “Direto da Redação”, no TJS da TV Sistec, às quintas-feiras, e produz e apresenta, há 19 anos, na mesma emissora, o programa “Terceira Idade em Ação”.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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