30/10/2019 às 16h31min - Atualizada em 30/10/2019 às 16h31min

창문 Changmun

Continuando nossos olhares orientais, a janela de hoje, avista a entrada do palácio Gyeongbokgung em Seul, capital da Coreia do Sul. O Palácio foi a principal residência da família real na Dinastia Joseon (1392-1910), e conta com uma fantástica história de 600 anos.

Atualmente a Coréia do Sul é considerada a maior nação planetária em termos de densidade populacional.A República Coreana, após a Segunda Guerra Mundial,  atravessou uma era marcada pela ditadura militar, quando sua economia teve um importante desenvolvimento, convertendo-se em uma das mais importantes do Planeta, e finalmente o país se converteu em uma democracia integral, adotando a república baseada no poder do presidente. Seus habitantes detêm um alto poder aquisitivo e a vida econômica está focada especialmente nas exportações de produtos eletrônicos, automóveis, navios, e na robótica.

Portanto, após a divisão da Coreia, ao final da Segunda Guerra Mundial a Coreia do Sul saiu da condição de país agrário para a de tigre asiático. Recebeu investimentos e tecnologia estrangeiros, ascendendo à posição de uma das nações mais desenvolvidas do mundo.

Quem acompanha minhas janelas sabe que essa é uma continuação de uma vista que mostrou um país que foi dividido, devido a interesses de terceiros. Pela observação da história pode-se observar que apesar da divisão, a Coreia do Sul conseguiu se reerguer, prosperar,  enquanto a Coreia do Norte, ainda tenta se encontrar na história.

Quando acontece um divórcio num relacionamento, nem sempre as duas partes  reagem de igual forma.  A  Coreia do Sul representa o lado que prospera, desabrocha, vai para frente. Essa lição nos ensina que , muitas vezes, mais importante que um evento é o que  fazemos após o mesmo.

Ao sair de uma relação é importante perceber o potencial que se tem, observar as condições, procurar se atrelar a pessoas que nos auxiliem a dar o nosso melhor.Sempre considerei que além das interseções que envolvem os relacionamentos, é imprescindível assegurar um pouco de individualidade, porque é nesse espaço que criamos raízes para reconstruir quando a relação termina.
Existem pessoas que vivem relações que não dão espaços para a manutenção da individualidade, vivem tudo juntos, fazem tudo juntos, todos os amigos são comuns. Quando ocorre a separação, veem-se perdidos. Por isso é importante saber separar um  espaço para a vida  que pertence a cada um.

Outra coisa importante é aceitar que a relação acabou, mas nem tudo foi ruim, afinal vocês se escolheram para parceiros, alguma coisa os atraía e antes que se chegasse ao fim, momentos bons foram aproveitados.

Isso é importante, uma vez que quando reconhecemos o bom, o bem, sentimo-nos gratos e a gratidão atrai mais coisas boas. Quando se reconhece que a relação acabou, mas momentos bons estiveram presentes, você se abre para novas relações saudáveis, para que a  vida te proporcione alegrias, encontros.

Separações são recomeços, novas possibilidades. Não se pode perder essas oportunidades remoendo mágoas, tristezas, revivendo momentos ruins do passado. Como a Coreia do Sul,  é necessário aproveitar e crescer, viver outras experiências.

Essas separações podem ser dolorosas, como a perda de um ente querido, o fim de um namoro ou casamento, perda de uma grande amizade. Independentemente do que seja, passado o choque, vivido o luto, seguir em frente de maneira positiva é uma forma de amadurecimento, crescimento.

A vida é uma caminhada sempre para frente, mesmo com as perdas e desilusões. Como se enfrenta o problema é o que faz diferença em nossas vidas. Podemos germinar e crescer ou nos acomodarmos na inanição e simplesmente  passar pelos dias e pela vida como sofredores.

Espero que o exemplo da divisão das duas Coreias e o ocorrido em cada uma das partes nos exemplifique,  que mesmo em tempos difíceis,  o verbo esperançar deve ser conjugado e vivido como forma de resistência à acomodação.

Precisamos ser o melhor que podemos ser em todas as situações. Que as perdas e separações da vida possam ter sempre como resultado novos ganhos. Ao meu editor preferido, o verbo esperançar.

 
Simone Aparecida de Sousa Capperucci
Formada em Língua Portuguesa e suas literaturas pelo Centro Universitário de Caratinga (UNEC) em 1997, pós-graduada em Língua Portuguesa em 1998 pelo UNEC, especialização em Literatura e Línguística aplicada em 2005 pelo UNEC, mestre em Educação e Linguagem pelo UNEC em 2010.
Professora de Língua Portuguesa nas séries finais do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino do Estado de Minas Gerais, desde 1996 e professora do Curso de Letras no UNEC, desde 2005.

 
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