06/12/2019 às 17h41min - Atualizada em 06/12/2019 às 17h41min

​παράθυρα Paráthyra

A janela de hoje viaja até a ilha de Santorini, situada no Mar Egeu, sendo uma das mais belas ilhas da Grécia, verdadeiro paraíso terrestre. A ilha é composta por pitorescas casinhas brancas com telhados azuis, sendo um dos símbolos das ilhas gregas. Na verdade, a ilha de Santorini é apenas um figurativo para uma reflexão sobre um dos países mais representativos da civilização, a Grécia.
Sendo  um país do sudeste da Europa com milhares de ilhas espalhadas pelos mares Egeu e Jônico, foi bastante influente na antiguidade, sendo  considerada o berço da civilização ocidental. Atenas, sua capital, conserva monumentos como a Acrópole, do século V a.C., onde fica o templo Partenon. Atualmente a Grécia também é conhecida por suas praias, como Santorini, com suas areias escuras e os  badalados  complexos hoteleiros de Míconos.
Quando penso na Grécia, penso nos filósofos citados nos livros, andando e discutindo com seus discípulos pelas ruas, propagando ensinamentos que ficaram para toda a humanidade, reflexões para toda uma vida.
Imagino que era uma época na qual  o tempo passava mais devagar, tudo seguia um ritmo mais lento, era possível desfrutar os minutos e os segundos. Era possível examinar a natureza, observar os detalhes do mundo e meditar sobre a beleza e o porquê das coisas, praticando o famoso ócio criativo.
Hoje nossa vida está tão corrida, tão apertada que não conseguimos refletir sobre muitas coisas, tampouco observar o mundo. Vivemos de executar, fazer o que a sociedade moderna pede, cumprindo protocolos e ações exigidas para dar conta de sobreviver. Não estamos vivendo, estamos sobrevivendo.
Talvez, devido a essa exigência da correria diária, a Grécia tenha  se estagnado . Quando olhamos para o cenário mundial, percebemos que a economia grega não consegue se reerguer, estando a Grécia com sérias dificuldades econômicas e alta taxa de desemprego.
Isso nos faz refletir sobre os valores do mundo atual; toda a história e importância grega foi desvalorizada em favor do poder econômico. Será que o mesmo não está ocorrendo com as pessoas em todas as partes do mundo?
Qual o valor da intelectualidade para o mundo moderno? Quanto custa para se obter conhecimento e qual o valor desse conhecimento, na modernidade.
Muitas vezes discursamos que as gerações atuais não querem pensar, não se preocupam em aprender, têm preguiça de buscar conhecimento, mas qual a importância, qual o papel dessas características para a sociedade?
Pode ser que as gerações atuais leiam que, atualmente, a sociedade valoriza o monetário, e não o conhecimento, assim não o buscam. Talvez percebam que escritores, pensadores sejam colocados à margem, sem respeito e credibilidade, por isso querem o enriquecimento rápido, acúmulo de  bens.
Se Platão, Sócrates, entre outros, vivessem entre nós, hoje, não seriam eles, aquele homem, considerado louco, que vive como andarilho pelas estradas da vida, discursando pelas praças de variadas cidades? Ou aquele homem que não consegue pagar suas contas porque em meio aos devaneios dos pensamentos não consegue equilibrar suas finanças, na sociedade capitalista.  
A janela de hoje é uma reflexão para uma sociedade que não valoriza o conhecimento, nem a cultura e seus intelectuais; não percebe que educação é investimento e nem divulga que conhecimento é poder.
Saibamos olhar para a Grécia com olhar de gratidão por todo legado histórico que nos deixou ; que saibamos valorizar o conhecimento e as pessoas que se dedicam a aprender para beneficiar a humanidade.
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