11/12/2019 às 08h59min - Atualizada em 11/12/2019 às 08h59min

Psicoterapia de casal: quando o relacionamento necessita de cuidados!

O aprendizado que o indivíduo adquire quando efetua uma descida ao mundo interior da psique, o faz pressentir e compreender melhor os aspectos internos, a natureza da própria alma, e conquistar um conhecimento dos mistérios de sua totalidade e do outro, capacitando-o a enfrentar as fases de nascimento morte e transformação com estado de graça e paz. “Quando os dois parceiros estiverem bem iniciados, juntos eles terão o poder de amenizar qualquer sofrimento, de sobreviver a qualquer dor.” (ESTÉS, 1994).

        O relacionamento afetivo tem enfrentando múltiplos conflitos, entre eles a insatisfação conjugal, desta forma a análise do inconsciente, pode contribuir para melhorar o relacionamento, a comunicação entre os cônjuges e resgatar, quando for o caso, os laços emocionais que se perderam em meio às desavenças.

      O objetivo inicialmente dessa psicoterapia é trabalhar a saúde emocional das partes e consequentemente, do casal, que muitas vezes, se organiza em torno de situações mal definidas do “eu” de cada cônjuge, onde os sujeitos confundem suas fronteiras. Frequentemente a “psicoterapia de casal” é um meio privilegiado para o tratamento de sujeitos mal individualizados.

       Existe uma grande dificuldade dos casais em lidar com as questões individuais, devido as projeções inconscientes transferidas para o cônjuge e a vida conjugal. Em um primeiro momento a análise individual é importante para que os casais conheçam a si mesmos integrando conteúdos projetados, como também, expressem seus receios. Ambos os cônjuges são vistos pelo mesmo terapeuta em momentos distintos, isto possibilita que o analista empreenda junto a cada um, a análise do inconsciente, uma vez que toda psicoterapia e análise do inconsciente é individual.

         A análise pessoal pode ajudar o indivíduo a enfrentar seus temores e a se tornar o que realmente é, reconhecendo a importância da estruturação da personalidade na vida familiar.

        É necessário que o casal compreenda que é importante aceitar as individualidades, saber lidar com seus papéis, não ter receios das diferenças sabendo aceitá-las. Na análise, o indivíduo pode vencer posturas rígidas que tornaram a relação insatisfatória.

      Para que a psicoterapia surta efeito, o casal precisa entender que cada um tem uma responsabilidade individual e a sinceridade é de fundamental importância para o tratamento. A psicoterapia também colabora para o autoconhecimento do sujeito em suas escolhas amorosas, as perspectivas que o levaram ao casamento, o reconhecimento das influências da família de origem, o relacionamento com os pais, bem como, para conhecer a dinâmica psíquica do parceiro, as demandas individuais frente às dificuldades enfrentadas na relação e a dinâmica da vida conjugal.

        Como a organização do casal é transformada, a vida de cada um de seus membros também é alterada, de forma que transformar-se para melhor, favorece a vida de cada um dos membros da família. Quando os problemas estão relacionados a filhos, insatisfação sexual no casamento, hostilidades familiares, ou qualquer coisa ligada à transição familiar o autoconhecimento adquirido na análise, colabora para o enfrentamento das dificuldades.

       Posteriormente, no encontro do analista com o casal, o mesmo colabora para que se sintam à vontade para falar, certificando-se que não há constrangimento das partes, uma vez que ambos buscam ajuda para a solução dos conflitos. O analista efetua intervenções de forma ética, sigilosa, sem julgamento moral, com o objetivo de promover o bom diálogo e entendimento.

      Viver a dois é satisfatório e saudável, porém a relação requer dos parceiros o enfrentamento de desafios que dizem respeito às constantes tensões do dia a dia. O individualismo e a conjugalidade, devem viver de forma harmoniosa para que cada um respeite os limites um do outro e do relacionamento. Deve-se entender que quando a harmonia não acontece dificilmente consegue-se manter um relacionamento a dois saudável.

     Se não houver compreensão mútua é possível que as pessoas partam para o divórcio e para novos relacionamentos, muitas vezes sem estarem bem resolvidas, desta forma, se tornam um fracasso ainda maior em novos relacionamentos, pois o problema continua sendo projetado no outro, sendo assim, cria-se um círculo vicioso de tentativas sem perspectivas nenhuma de acertos.

      Para se obter um relacionamento profundo, uma união plena e satisfatória, o indivíduo necessita passar por um aprendizado, conhecer seu lado fragilizado, superar complexos, distinguir imaturidades, preconceitos e padrões sobre o amor e a sexualidade, para estar apto e maduro para o relacionamento afetivo-sexual ao conhecer os fatores inconscientes e as expectativas sobre o mesmo e maneiras de harmonizá-lo com a realidade.

Eneide Caetano
Analista membro da International Association for Analytical Psychology,      
Associação Junguiana do Brasil e Instituto C. G. Jung/MG
Diretora de Comunicação do ICGJUNG-MG
Especialista em Sexualidade humana e Educação Sexual
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