01/04/2019 às 10h09min - Atualizada em 01/04/2019 às 10h09min

Seria o hospital um sepulcro caiado?

Às vezes me pego pensando: por que o hospital chegou nesta situação? Por que deixaram chegar a esta circunstância? Se há culpados, quem são? Se há, serão punidos?

Walber Souza

Realmente as aparências enganam. Num momento histórico em que a humanidade está se tornando cada vez mais visual, portanto valorizando tudo aquilo que está ligado à imagem, um ícone que faz parte da histórica da nossa cidade, não poderia passar despercebido.

Passo, com certa frequência em frente ao Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, bem como acompanho pelos noticiários e redes sociais sua agonia, que já dura décadas. Mas um fato me deixou surpreso e ao mesmo tempo acabou provocando uma reflexão: o hospital anunciou que deixaria de prestar seus serviços de atendimento ao público, só que ele está impecavelmente lindo por fora, todo reformado. Nada contra a manutenção do prédio, nem tão pouco a intenção deste artigo é fazer uma crítica à sua direção e muito menos apontar prioridades, pois não tenho conhecimento de fato para fazê-lo. A ideia é uma simples reflexão.

Como a realidade do hospital imita os valores que vivemos simbolizando de uma forma sem igual a nossa sociedade! Literalmente, baseando em um texto bíblico ele está igual a um sepulcro caiado: “lindo” por fora e morto por dentro. Seu exterior não demonstra a sua realidade, como ele realmente está. Triste realidade de uma sociedade que valoriza a aparência em detrimento à essência das coisas.

Mas não poderia deixar de mencionar também a tristeza de ver uma instituição de tamanha importância para toda a região de Caratinga, simplesmente fechar as portas, como se fosse um simples estabelecimento comercial de pouca importância.

Às vezes me pego pensando: por que o hospital chegou nesta situação? Por que deixaram chegar a esta circunstância? Se há culpados, quem são? Se há, serão punidos? Onde estão os gestores públicos, por que não assumem suas responsabilidades? Por que tanto mistério, tanto segredo? Por que esta “caixa preta” não é aberta publicamente? Enfim, mais uma vez o hospital mostra-se como um retrato fiel da nossa sociedade. Jogando sempre a sujeira para debaixo do tapete.

Mas não esqueçamos que no meio de toda essa celeuma encontra-se a população e em especial a parcela mais carente, que como sempre é a que mais “paga o pato” por vivermos no país das aparências e que insiste em tapar o sol com a peneira.

 

Walber Gonçalves de Souza é professor e escritor

Link
Relacionadas »
Comentários »
" data-width="400" data-hide-cover="false" data-show-facepile="true">