08/01/2020 às 10h09min - Atualizada em 08/01/2020 às 10h09min

​Caminhos

Saiamos dos umbrais das janelas e nos coloquemos em marcha para as caminhadas da vida. Nem sempre teremos as sombras das árvores, o frescor da maresia, mas nossa visão será ampliada porque não teremos as arestas nem os freios; vamos seguir o ritmo e o curso das coisas sem falsos coloridos ou eufemismos poéticos.

Pensei muito sobre o tema para a nova série de crônicas: vários nomes, vários assuntos... Há tanta coisa para se escrever nessa vida! Eu queria aproveitar essa página e falar sobre encontros e despedidas, ou ainda, sobre quantas proximidades existem entre a vida e a morte, mas muitos dos meus títulos pareceram mórbidos, sombrios e tristes, o que não era a intenção e poderia afastar os leitores, categoria difícil na atualidade. Diante de todas essas variáveis, decidi pelo título “Caminhos”.

Penso que esse título me possibilitará escrever sobre tudo o que pensava, sem causar estranheza ou repulsa e espero, sinceramente, atender ao que eu pretendo e ao que os leitores tenham receptividade para ler. Disseram-me também que duas ou três páginas são muito extensas, portanto, nessa nova fase, pretendo ser mais breve, não extenuando meus companheiros de caminhada.

As imagens escolhidas também pretendem revelar a dualidade dessa nova jornada que retratará encontros e despedidas, a suavidade e aspereza da existência humana enquanto viajantes nessa enorme espaçonave chamada Terra, plana ou não. A antítese será a grande marca; assim numa semana poderemos retratar um fato bastante alegre, na próxima, o caminho pode ser triste.

Portanto, não desanimem ou se entediem com o assunto de uma crônica, de forma que isso os impeça de lerem a coluna na semana seguinte. O inesperado e a surpresa serão sempre o traço da originalidade.

Saiamos dos umbrais das janelas e nos coloquemos em marcha para as caminhadas da vida. Nem sempre teremos as sombras das árvores, o frescor da maresia, mas nossa visão será ampliada porque não teremos as arestas nem os freios; vamos seguir o ritmo e o curso das coisas  sem falsos coloridos ou eufemismos poéticos.

Quando falamos sobre o gênero denominado crônica, temos essa grande oportunidade de retratar o cotidiano e, por isso, sou livre nessas páginas  para falar da vida com todas as antíteses que representa.

Já imaginaram como tomamos decisões importantíssimas em todos os momentos de nosso dia? Levantar para cumprir os protocolos do dia ou permanecer no que aparentemente é a inércia de uma cama? Prosseguir com uma gravidez, impulsionando a existência, ou abortar a vida na apatia de seguir? Como disse tão bem Cecília Meirelles: “Comprar o doce e gastar o dinheiro ou guardar o dinheiro e não comprar o doce. E assim, vamos escolhendo o dia inteiro.”

Essa é a grande característica da existência: escolhas. Essas escolhas podem modificar uma ou mais vidas traçar infinitas histórias. Escolhas traduzidas em caminhos, alguns desses retratados nas próximas histórias. Preciso de você, nessa nova caminhada. Venha trilhar comigo.
 
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