05/02/2020 às 18h01min - Atualizada em 05/02/2020 às 18h01min

Refugiados


Durante os últimos anos se tornaram comuns reportagens que mostram milhares de pessoas fugindo de seus países, sejam por questões políticas, religiosas, econômicas ou guerras. A Europa foi invadida por refugiados vindos da Síria e outros países.O Brasil é um dos países que  recebeu pessoas da América do Sul e também da Europa.

Obviamente a chegada de um grande número de pessoas numa região, sem uma preparação prévia, provoca problemas nos sistemas públicos que necessitam prestar atendimento, mas poderíamos nos questionar se não foi esse o único caminho encontrado por essas pessoas.

Vejo olhares preconceituosos, refugiados humilhados tendo que mendigar por um espaço mais humano para reconstruírem suas vidas e comecei a indagar a mim mesma como o mundo foi se tornando individualista, colocando barreiras, obstáculos e fronteiras nos espaços, impedindo caminhos.

Vi também brasileiros deportados dos Estados Unidos em avião fretado, alguns afirmando terem sido algemados e acorrentados. Pessoas consideradas ilegais em determinados territórios, por não serem desejadas lá; espaços demarcados em cidades, países, territórios de um grupo que se denomina dono.

Quanto somos livres na escolha de nossos caminhos? Até onde podemos ir? Acatar as placas que demarcam os territórios ou arriscar-se por um sonho, um ideal?

Quando era criança pequena escutava que estrangeiro era um lugar tão, tão distante, a globalização deu-nos a falsa impressão de um mundo sem fronteiras, mas é apenas ilusão. O estrangeiro, o forasteiro, continua sendo o impossível para tantos.

A vida nos impõem barreiras, limites que estacionam os nossos caminhos, seja família, emprego, demarcações geográficas, nem sempre estamos ou somos livres para prosseguir. Nessa situação, permanecer, às vezes, é tão frustrante quanto para aqueles que tiveram que deixar  suas terras e, não por opção mas, por fuga foram obrigados a fugir.

O dicionário Michaellis indica que refugiado é o indivíduo que, por motivos de perseguição política ou ideológica em seu próprio país, procura asilo em país estrangeiro. Pena que as páginas de um dicionário não sejam capazes de captar a dor, a tristeza, o sentimento de perda daquele que foi obrigado a deixar sua terra e esconder-se num lugar estranho em tantos aspectos culturais, ainda sendo indesejado.
 
O meu país é a terra
O meu país somos todos nós
Ninguém nos separa da terra
Junte a sua com a nossa vós
 
Que tenhamos direito a transitar pela Terra, nossa casa, nosso planeta. Fronteiras territoriais demarcadas pelo homem não podem fazer-nos sentir estrangeiros, indesejados, não podem impedir-nos de seguir nossos caminhos.
 

 
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