21/11/2019 às 08h34min - Atualizada em 21/11/2019 às 08h34min

Fernando Pimentel é condenado a 10 anos e 6 meses por tráfico de influência e lavagem de dinheiro

​A condenação do ex-governador de Minas Gerais se refere a crimes cometidos quando ele era ministro do governo Dilma, entre 2011 e 2014. Ele poderá recorrer em liberdade. A defesa foi procurada, mas não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.

G1
A Justiça Eleitoral condenou o ex-governador Fernando Pimentel (PT) a 10 anos e 6 meses de prisão por tráfico de influência e lavagem de dinheiro, com o agravante de abuso de poder, por ter usado o cargo de ministro para cometer os crimes. O inquérito apurou irregularidades de caixa 2 no período em que Pimentel foi ministro do Desenvolvimento, no governo Dilma, entre 2011 e 2014.
 
A juíza Divina de Paula Peixôto determinou que a pena seja cumprida em regime fechado, mas o ex-governador poderá recorrer em liberdade.
 
O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, o “Bené”, que teria prestado serviços para a campanha de Pimentel ao governo de Minas em 2014 e ajudado no esquema de caixa 2, foi condenado a 8 anos de prisão.
 
Marcos Coimbra, sócio da Vox Populi, e o empresário Márcio Hiran Novaes também foram condenados.
 
A decisão afirma que os direitos políticos de Pimentel e dos outros réus serão suspensos após trânsito em julgado da condenação – ou seja, quando não couber mais recurso.
 

O que dizem as defesas

A defesa de Benê afirmou que "essa condenação do Pimentel é fruto da efetiva colaboração do Benê com a Justiça".
 
A TV Globo entrou em contato com o advogado de Pimentel, Eugênio Pacelli, e, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. A reportagem tenta contato com a defesa dos outros condenados.
 
No processo, a defesa de Pimentel disse que ele jamais pediu vantagem ou fez promessa de apoio para a campanha eleitoral de 2014. Também alegou que não houve crime de lavagem de dinheiro porque não existiu um crime precedente. "Se houve fraude em notas fiscais com a finalidade de encobertar gastos com a campanha eleitoral, o réu sequer teve ciência muito menos anuência disso", argumentou a defesa, de acordo com a sentença.
 

Denúncias e julgamento

A investigação, relacionada à Operação Acrônimo, foi conduzida pelo Ministério Público Federal e depois repassada ao Ministério Público Eleitoral.
 
Segundo a denúncia, o ex-governador de Minas Gerais usou os serviços de uma gráfica durante a campanha eleitoral de 2014 sem a devida declaração dos valores e recebeu "vantagens indevidas" do empresário Bené, que era dono de uma gráfica. Os investigadores acreditam que a campanha do governador também recebeu verba irregular do instituto de pesquisa Vox Populi.
 
Em delação premiada, o empresário disse que o governador de Minas cobrou R$ 4,25 milhões em propina do grupo JHSF, responsável pelo aeroporto Catarina, em São Roque, na Região Metropolitana de São Paulo. O valor teria sido usado como compensação pelo lobby que Pimentel fez para que o grupo pudesse operar o aeroporto.
 
Na sentença, a juíza Divina de Paula Peixôto disse que analisou os crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência porque uma decisão do Supremo Tribunal Federal firmou, neste ano, a competência da Justiça Eleitoral para julgar crimes conexos aos crimes eleitorais.
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