19/12/2019 às 08h37min - Atualizada em 19/12/2019 às 08h37min

​Irmãos acusam dois policiais militares de tortura em MG; Ministério Público investiga o caso

Mulher de 32 anos e rapaz de 19 apresentaram denúncia ao Ministério Público sobre terem recebidos chutes, tapas no rosto e golpes de cassetete. Promotor vai instaurar Procedimento Investigatório Criminal nesta quarta-feira (18).

G1
Dois irmãos, uma mulher de 32 anos e um rapaz de 19, denunciaram ao Ministério Público que foram torturados por policiais militares em Jequitinhonha (MG). Eles foram ouvidos pelo órgão nesta quarta-feira (18) e falaram sobre o caso que, segundo eles, ocorreu no último domingo (15).
 
Os dois irmãos contaram ao G1 que estavam em uma festa quando o cunhado deles decidiu ir embora, mas se arrependeu e tentou voltar, sendo impedido pelos seguranças do evento. A mulher afirma que eles tentavam conversar para resolver a questão quando dois militares chegaram com postura agressiva, desferindo tapas e chutes nos familiares.
 
"Quando minha mãe de 60 anos foi conversar com uma das policiais que é mulher, ela pegou minha mãe pelo pescoço, mandou ela sair dali e jogou ela sobre as grades da festa. Quando eu fui para cima de mãe, a policial me puxou pelo cabelo, batia na minha cara. Aí quando meu irmão viu, ele chegou junto, no que chegou junto foi só pancada", conta a mulher.
 
A mulher disse ainda que ela e o irmão foram algemados e levados para o pátio do quartel da PM na cidade, onde foram agredidos pelos mesmos policiais com golpes de cassetetes na frente de outros militares. Ela afirmou que o som no local estava alto, possivelmente para abafar os gritos dela e do irmão.
 
"Todo mundo assistindo aquela cena e ninguém fez nada. Ela batia em mim de cassetete, me chamava de 'vagabunda', fazia eu levantar, deitar, ficar de costas e ia batendo de cassetete. Chegou uma hora que a policial me bateu tanto que um tenente falou 'já chega' e ela falou 'afasta'", relata a mulher.
 
Mulher e rapaz registraram os hematomas que dizem ter sido causados por tortura policial em Jequitinhonha — Foto: Arquivo PessoalMulher e rapaz registraram os hematomas que dizem ter sido causados por tortura policial em Jequitinhonha — Foto: Arquivo Pessoal
Mulher e rapaz registraram os hematomas que dizem ter sido causados por tortura policial em Jequitinhonha — Foto: Arquivo Pessoal
 
Ainda segundo os irmãos, depois foram levados, ainda algemados, para uma sala reservada, onde as agressões continuaram.
 
"Ela me levou pra uma sala, bateu em mim e no meu irmão e gritava 'alguém bateu em você?” e a gente tinha que negar o tempo todo, que ninguém batia em nós [sic]. Meu irmão não andava no momento, não sentia mais os braços, eu implorei pra que alguém levasse ele [pro hospital], eu achei que ele ia morrer. Eu pedia pelo amor de Deus para ir embora", conta ela.
 
Após o fim das agressões, os irmãos afirmaram que foram ameaçados a não falar sobre o caso porque sofreriam novas consequências. "Fora os hematomas, as feridas, meu psicológico tá muito abalado, das minhas filhas, minha família também. A gente foi ameaçado de morte se aparecesse algumas coisa nas redes sociais. Eu tô assustada, com medo", desabafa a mulher.
 
O que diz a Polícia Militar
Leia nota na íntegra
 
Consta dos registros de ocorrência que no dia 15/12/19, por volta das 22 horas, em Jequitinhonha, houve uma briga, rixa, generalizada envolvendo algumas pessoas e seguranças na entrada de um evento festivo. Os militares que estavam escalados nas imediações do festo foram fazer a contenção e apaziguar o conflito, o que foi concretizado, preservando a ordem.
 
Desta ação de contenção e controle dos envolvidos na briga, que se deu com uso de força, uma militar realmente ficou lesionada, com quebra de dois dentes e lesão no supercilio, atingida por parte de uma pessoa envolvida na briga. Alguns envolvidos também, em virtude da utilização de instrumento de menor potencial ofensivo (IMPO), ficaram com lesões.
 
No tocante às denúncias veiculadas de agressão por parte de militares, através da qual a Polícia Militar tomou conhecimento, uma apuração será instaurada para investigar os relatos e permitir a tomada de decisão, resguardando, assim, os direitos de todos.
 
Investigação
O G1 conversou ainda com o promotor de Jequitinhonha que ouviu o relato dos denunciantes. Por telefone, Caio César do Espírito Santo do Nascimento informou que quatro membros da família compareceram ao Ministério Público na manhã desta quarta-feira e foram tomados termos de declaração das possíveis vítimas.
 
"De fato a mulher apresenta hematomas que condizem com um provocado por cassetete, mas vamos aguardar o laudo pericial. A mulher e o irmão foram encaminhados para a perícia médico-legal em Almenara, vamos aguardar o laudo para ter mais informações. Também já acionei a Polícia Militar e estou aguardando retorno", informou o promotor.
 
Segundo ele, será instaurado ainda nesta quarta-feira um Procedimento Investigatório Criminal. Quando o Ministério Público tiver mais informações sobre o caso será avaliado sobre ouvir os policiais denunciados.

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