10/01/2020 às 08h49min - Atualizada em 10/01/2020 às 08h49min

Primeiro caso de Leishmaniose Tegumentar Americana do ano é registrado em Caratinga

Roedores, marsupiais silvestres e animais domésticos podem servir de reservatório para os parasitas. A transmissão ocorre tanto nas matas quanto nas imediações dos domicílios, especialmente nas proximidades das áreas em que foi destruída a vegetação nativa. Uma vez inoculados no corpo humano, os parasitas se desenvolvem nos macrófagos, células que fazem parte do sistema de defesa do organismo.

Por Lucas Vieira

A doença de origem silvestre, a leishmaniose tegumentar americana, ou ferida brava, é uma doença infecciosa, causada pela picada de pequenos insetos, como explica Paulo Henrique Nunes Borges, enfermeiro e investigador do departamento de epidemiologia. Sem tratamento pode ter consequências bastante graves. A doença é conhecida também pelos nomes de úlcera de Bauru, nariz de tapir, botão do oriente e ferida brava.

No Brasil, já foram identificadas três espécies diferentes do micro-organismo: Leishmania amazonensis e Leishmania guyanensis na região amazônica, e Leishmania braziliensis distribuído por todas as regiões do País.
 
O vetor, ou seja, o agente transmissor do protozoário, é a fêmea infectada do mosquito Lutzomyia, conhecido popularmente por mosquito-palha, birigui, tatuquira ou cangalha, um inseto bem pequeno que permanece com as asas levantadas durante o pouso.
 
Roedores, marsupiais silvestres e animais domésticos podem servir de reservatório para os parasitas. A transmissão ocorre tanto nas matas quanto nas imediações dos domicílios, especialmente  nas proximidades das áreas em que foi destruída a vegetação nativa.  Uma vez inoculados no corpo humano, os parasitas se desenvolvem nos macrófagos, células que fazem parte do sistema de defesa do organismo.

A leishmaniose tegumentar pode manifestar-se em homens e mulheres de qualquer idade. A maioria das infecções ocorre em meninos a partir dos dez anos de idade.
 
Os sintomas variam segundo o tipo de parasita transmitido pela picada do mosquito e as condições imunológicas da pessoa. O primeiro sinal da  forma cutânea costuma ser uma única ou várias lesões, quase sempre indolores na pele. Inicialmente, são feridas pequenas, com fundo granuloso e purulento, bordas avermelhadas, que vão aumentando de tamanho e demoram para cicatrizar.
 
Outra forma da doença  é a mucocutânea, em geral transmitida pelo Leishmania braziliensis. A ferida primária tem as mesmas características da cutânea simples. A diferença é que, ao mesmo tempo, ou meses depois, surgem metásteses nas mucosas da nasofaringe que destroem a cartilagem do nariz e do palato provocando deformações graves.
 
A presença de nódulos espalhados pelo corpo, sobretudo nos membros, é a principal característica da leishmaniose cutâneo difusa. Já, na leishmaniose disseminada, o paciente apresenta inumeras lesões ulceradas espalhadas por todo o corpo, que surgem de repente e podem vir acompanhadas de febre, calafrios e mal-estar.

 

Em nossa região, a maior incidência da doença ocorre nos distritos de Patrocínio, Sapucaia e Santa Efigênia, devido à proximidade com zonas de matas. José Carlos Damasceno, Coordenador de vigilância em Saúde, fala sobre os casos dos últimos cinco anos.

Ao apresentar sintomas, procure imediatamente um posto de saúde.

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