28/05/2020 às 15h37min - Atualizada em 28/05/2020 às 15h37min

Minas tem 160 mil testes de Covid-19 disponíveis, mas só fez 20 mil

Estado é o segundo com menor incidência da doença no país, mas também é um dos que menos realiza testes. Secretaria de Saúde confirmou que ainda não cumpre protocolo nacional de testagem e que os kits recebidos do Ministério da Saúde são utilizados também no diagnóstico de outras doenças.

G1
O Ministério da Saúde enviou para Minas Gerais 160.552 testes RT-PCR para diagnosticar Covid-19. É um dos estados que recebeu maior número de exames do governo federal. Apesar disso, só 20.700 foram realizados até agora, o que coloca os mineiros entre os que menos são testados no país. A explicação pode estar no protocolo adotado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), que contraria recomendações nacionais para detectar o novo coronavírus. A pasta ainda afirmou que utiliza o PCR para diagnóstico de outras doenças.
 
Até esta quarta-feira (27), Minas Gerais tinha 8.011 casos confirmados do novo coronavírus, sendo 240 mortes decorrentes da doença. Enquanto isso, Rio de Janeiro já tinha quase 42.398 casos confirmados e mais de 4.605 mortes pela doença e, São Paulo, 89.483 confirmações e tem 6.712 óbitos.
 
Embora o governador Romeu Zema (Novo) tenha afirmado que os testes para Covid-19 sejam realizados em qualquer paciente com sintomas da doença, a Secretaria de Estado de Saúde informou que não faz coleta de amostras de quem apresenta sintomas leves, nem assintomáticos. De acordo com a SES-MG, só são feitos diagnósticos laboratoriais em casos de Síndrome Respiratória Aguda Graves que são hospitalizados ou óbitos suspeitos.
 
Também passam por exames os profissionais de saúde, profissionais de segurança, e presos e adolescentes em medidas sócio-educativas, todos sintomáticos. Para estes grupos, devem ser priorizados testes rápidos. Além disso, são testadas amostras aleatórias, provenientes de unidades de sentinela, para verificação da situação epidemiológica de um determinado local.
 
O protocolo adotado em Minas diverge de outros estados e até mesmo de orientações do próprio Ministério da Saúde. Segundo a pasta, desde 6 de maio, análises de RT-PCR, que é o exame utilizado para identificar o vírus ainda atuando no organismo, devem ser feitas em pessoas com sintomas da doença, independentemente de estarem com quadro leve, moderado ou grave.
 
A Secretaria de Estado de Saúde confirmou, em nota, que tem conhecimento do protocolo do Ministério da Saúde e que informou as Superintendências e Gerências Regionais de Saúde sobre a ampliação do protocolo desde o dia 19 de maio, mas que "uma nota de atualização da SES, com definição destes grupos será publicada em breve".
 
Questionada por que o estado não realiza mais testes, já que existem muitos exames disponíveis, a SES-MG disse, apenas, que o PCR disponibilizado pelo Ministério da Saúde é utilizado para diagnóstico de outros vírus.
 
Para o virologista Flávio Fonseca, que participa do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), limitando a testagem por PCR, o estado deixa de adotar medidas de isolamento mais eficazes.
 
"O teste PCR tem limitação de uso. Mas se você detecta uma pessoa positiva, é ela que tem que ficar em casa. Se detecta [enquanto o vírus está ativo], pode isolar a pessoa e ela para de ser um transmissor. Entre 80% e 90% das pessoas que estão com a doença são assintomáticas ou têm sintomas leves. Se a gente ampliar o teste para incluir, por exemplo, pessoas com síndrome gripal nas Upas, podemos colocar esse paciente em quarentena e reduzir o risco de contaminação. É uma questão estratégica", disse.
Segundo ele, baixo número de testes realizados pode prejudicar também no controle da doença.
 
"Todos os países convergem para a testagem da população como estratégia essencial para controlar a crise da pandemia. Isso é fato consensual no mundo inteiro. Se não estamos fazendo [testes], estamos numa condição pior de conhecimento para tomada de decisão. Acho que é uma perda de oportunidade de conhecimento epidemiológico. Temos que ter um conhecimento mais amplo na base do problema para uma decisão estratégica", falou.

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