17/07/2020 às 09h16min - Atualizada em 17/07/2020 às 09h16min

Pacientes de clínica de hemodiálise reclamam do fim do fornecimento de refeições após sessões de tratamento em Caratinga

Fechamento foi provocado para atender normas de combate à pandemia

Hérisder Matias
O movimento de vans e automóveis é constante. São veículos de todas as cidades da região que se deslocam até 60km três vezes por semana para vir a Caratinga fazer o tratamento nessa clínica de hemodiálise. Uma rotina cansativa para os pacientes que se submetem ao procedimento de limpeza e filtragem do sangue. Após as sessões, eles saem exaustos e precisam repor as energias com uma alimentação balanceada. Essas refeições eram fornecidas pela própria clínica, mas há quase um mês as marmitas feitas com orientação de uma nutricionista deixaram de ser ofertadas. Ivânio faz hemodiálise há nove anos e meio. Ele diz que foi informado sobre o fechamento da cozinha da clínica e, consequentemente, do fim do fornecimento da refeição por causa da aglomeração natural provocada no local. O aposentado de São Sebastião do Anta afirma que a marmita faz falta.

O Senhor Juarez traz a esposa três vezes por semana de Entre Folhas. Ele alega que a mulher sai cansada e com fome das sessões de hemodiálise, e que sem a marmita, acaba comprando marmitas de restaurantes ou salgados que não tiveram preparo com acompanhamento nutricional.

Anderson acompanha a mãe há dois anos de Vermelho Novo até Caratinga. Eles vêm nessa van com pelo menos outros sete pacientes, e acaba tendo que comprar marmitas antes da viagem de retorno de quase duas horas.

Anderson reclama que a clínica deveria ofertar um espaço para as pessoas aguardarem o início da hemodiálise. As sessões de hemodiálise duram quatro horas. Os pacientes e acompanhantes reclamam que chegam às vezes até 40 minutos antes, mas precisam esperar na porta da clínica e no frio até a abertura, às 7h.

Os responsáveis pela unidade de saúde alegam que as refeições que eram fornecidas para os pacientes e alguns acompanhantes eram feitas com recursos próprios da clínica, uma vez que os recursos enviados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) não cobrem a alimentação.

Marmitas foram fornecidas no interior da clínica, mas a maioria dos pacientes recusou o alimento e até descartaram as marmitas. Sobre o fechamento da cozinha, a nutricionista informou que a medida foi para evitar aglomerações no local e faz parte das normas adotadas para conter o avanço da pandemia. Ainda assim, os pacientes e acompanhantes ficam aglomerados para fazer as refeições com as marmitas compradas por eles.

A clínica busca parceria com empresas e entidades que possam ajudar no fornecimento de alimentos e até cestas básicas para os pacientes carentes. A direção da clínica também informou que enviou um oficio à todas às prefeituras da região para que os veículos que trazem os pacientes não cheguem muito antes do horário de atendimento, impedindo que eles fiquem aglomerados na porta da unidade de saúde ou até mesmo na recepção da clínica.




 

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