24/09/2020 às 08h41min - Atualizada em 24/09/2020 às 08h41min

Fauna da pedra Itaúna é afetada pelos incêndios na área de preservação

Matheus Aguiar
No dia 8 de setembro, os incêndios na Pedra Itaúna foram reportados por Fábio Teodoro e na ocasião a polícia afirmou que a ação poderia ser criminosa. Na semana passada estivemos no local e registramos a atual situação da área de preservação ambiental. Boa parte da vegetação da Pedra Itaúna foi destruída pelo fogo. Durante as filmagens, o cinegrafista João Paulo Freitas se deparou com dois quatis passando pela estrada e constatou uma situação muito triste. Um deles estava com as costas queimadas e provavelmente foi atingido pelo fogo no início do mês. Esse fato ilustra como os animais que dependem daquele ecossistema foram fortemente afetados pelo incêndio.

Caratinga está inserida na região de abrangência da mata Atlântica, o bioma mais desmatado no Brasil. De acordo com um relatório lançado em maio desde ano pelo, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Mata Atlântica cresceu 27,2% entre 2018 e 2019, na comparação com o período entre 2017 e 2018. Isso mostra como a ação humana tem afetado a preservação das espécies vegetativas. De acordo com o biólogo, o desmatamento tem sido um dos fatores determinantes para a mudança climática de Caratinga, tornando o clima mais seco. E no que tange os acontecimentos na Pedra Itaúna, os incêndios que vem acontecendo já há anos, podem repercutir em décadas para a recuperação da mata local.

Gleidson afirma que não existe incêndio espontâneo na mata Atlântica, o que vai de encontro às afirmações dos policiais que investigam a situação. No dia 15 de julho, Bolsonaro editou o decreto nº 10.424 que determinou a proibição de queimadas por 120 dias. Neste período, só é permitido o emprego, para práticas agrícolas por exemplo, com autorização de órgão ambiental do estado. Mesmo com a proibição valendo até novembro, os incêndios seguem sendo recorrentes em Caratinga.

Ao contrário do que acontece em muitas reservas ambientais do país, não há fiscalização por parte do poder público do município sobre quem entra na Pedra Itaúna. Além disso, em termos de legislação, o dispositivo que determina a instituição APA é a lei municipal 2.433 de 1997 e que, inclusive já passou por uma redução no tamanho da área de preservação. É também nessa lei que garante a administração, supervisão e fiscalização por parte da Prefeitura. O biólogo entende que essa questão não está sendo levada da melhor maneira para a preservação da área e sugere uma atualização para um plano de manejo que atenda a APA.

De acordo com a secretaria de Meio Ambiente, o trabalho feito pela prefeitura é no sentido de conscientização e educação ambiental. Sobre a fiscalização, foi informado que ela não acontece por falta de mão de obra. Entramos em contato também com a Polícia Civil para saber como está o andamento da investigação do incêndio, mas até o fechamento da reportagem não obtivemos resposta. De acordo com a assessoria do CASU, o Hospital Veterinário Joaquim Felicio realiza o atendimento de todos os animais domésticos ou silvestres resgatados pela Polícia Militar de Meio Ambiente ou pelos Bombeiros. Segundo a instituição, esse serviço não é cobrado e não há parceria com nenhum órgão público. A gestão ambiental, se bem feita, além de preservar as espécies e promover o equilíbrio de doenças, pode também ser rentável a partir de práticas sustentáveis.

Enquanto a gestão pública e sobretudo, a sociedade, não assume essa responsabilidade de preservar o meio ambiente, cenas tristes como essa seguirão acontecendo.

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